A Organização Mundial da Saúde (OMS) vive um dos momentos mais críticos de sua história em termos de financiamento. A declaração foi feita nesta quinta-feira (data atual do evento) pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em coletiva na sede da organização, em Genebra. A crise foi acentuada após a retirada dos Estados Unidos da agência da ONU, decisão tomada no início do ano pelo presidente Donald Trump.
Tradicionalmente o maior contribuinte individual da OMS, os Estados Unidos eram responsáveis por aproximadamente 18% do financiamento total da organização. Com a decisão do governo Trump de se desligar da agência — sob críticas de má gestão da pandemia de Covid-19 e outras emergências globais —, a OMS viu seu orçamento ser drasticamente impactado.
“Estamos vivendo a maior interrupção no financiamento global da saúde da história”, afirmou Tedros, ressaltando que a organização teve que revisar seu orçamento e poderá fazer novos ajustes nos próximos meses, conforme o cenário evoluir.
Cortes profundos à vista: orçamento e equipe da OMS devem encolher
Com uma estimativa de déficit de cerca de US$ 600 milhões apenas neste ano, a OMS já sinalizou mudanças drásticas. Um memorando interno revelou que a proposta para o próximo biênio inclui a redução do orçamento de US$ 5,3 bilhões para US$ 4,2 bilhões — uma queda de 21%. Também está prevista uma diminuição no quadro de funcionários.
Entre as medidas em estudo estão o corte de postos de trabalho na sede em Genebra e o fechamento de escritórios em países de alta renda. Raul Thomas, vice-diretor-geral de operações da OMS, informou que cerca de 25% dos custos com salários não têm cobertura garantida para os próximos dois anos. No entanto, o número exato de demissões ainda não está definido, pois depende da localização e do perfil dos colaboradores afetados.
Um dos principais problemas apontados por Tedros é a alta dependência da OMS de doações voluntárias. Atualmente, 80% do orçamento da organização vem de contribuições não obrigatórias, geralmente feitas por um número reduzido de países e instituições. Para superar essa vulnerabilidade, a organização busca diversificar sua base de financiamento e atrair novos parceiros.
Para Tedros, trata-se de uma questão estrutural. Ele destaca que o modelo atual não oferece estabilidade suficiente para garantir a continuidade das ações globais em saúde pública.
Embora não tenha se encontrado diretamente com o presidente Donald Trump, Tedros afirmou que mantém canais de comunicação com autoridades americanas, fornecendo dados e esclarecendo dúvidas sobre o funcionamento da OMS.