Nesta quarta-feira (7), acontece mais uma “Superquarta”, quando coincidem as decisões sobre as taxas de juros pelos bancos centrais dos Estados e do Brasil. As reuniões começam nesta terça-feira (6) e o mercado financeiro acompanha de perto.
Nos Estados Unidos, a expectativa da maioria dos agentes do mercado financeiro é que o Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) mantenha as taxas de juros inalteradas na banda entre 4,25% e 4,50% ao ano, devido aos sinais de uma economia ainda robusta, como mostram os dados de serviços da véspera, ainda que a guerra tarifária deflagrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, tenha impactado negativamente o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2025.
No Brasil, parte do mercado aposta em um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, enquanto há quem preveja uma alta de 0,50 p.p. Atualmente, a Selic está em 14,25% e, com uma alta de 0,50 p.p., os juros subiriam para 14,75%.
Em março, última reunião Copom, houve aumento de 1 ponto percentual na Selic, que subiu de 13,25% para 14,25% ao ano. Na ata da reunião, o colegiado indicou que o aumento dos juros na reunião de maio seria menor, citando uma economia e um mercado de trabalho ainda dinâmicos.
No Boletim Focus divulgado pelo BC na segunda-feira (5), a mediana dos mais de cem analistas consultados para a publicação reduziram de 15% para 14,75% a taxa Selic no fim de 2025.
Se o Copom elevar a Selic em 0,25 p.p., para 14,50%, na visão do mercado haverá um novo ajuste de 0,25 p.p. nas próximas reuniões. Caso o colegiado opte por uma alta de 0,50 p.p., na visão da maioria dos agentes consultados para a publicação do BC, a Selic fica nesse patamar elevado, de 14,75%, até o fim do ano, mantendo a economia bastante contraída.
Quando o BC sobe a taxa de juros e a mantém em patamar elevado, o indicador continua fazendo efeito na economia. Esse instrumento é usado pela autoridade monetária para buscar manter a inflação dentro da meta.
Desde janeiro de 2025, em linha com a experiência internacional, o regime de metas de inflação passou a se referir à inflação acumulada em doze meses, apurada mês a mês, também conhecida como “meta contínua”. Todo mês, a inflação acumulada em doze meses é comparada com a meta e seu intervalo de tolerância. Antes, essa verificação era feita anualmente.
O centro da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) e perseguida pelo BC é de 3% – e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Taxas de juros: apesar das reclamações de Trump, ele desiste de demitir Jerome Powell
Apesar das reclamações do presidente dos EUA, Donald Trump, as taxas de juros nos EUA não devem mudar.
Em abril, Trump ameaçou demitir o presidente do Fed, Jerome Powell, se ele não baixasse os juros. A declaração trouxe muita volatilidade às bolsas de Nova York e ao dólar.
No domingo (4), ele voltou a falar do assunto em entrevista ao Meet the Press, programa da NBC News. Trump disse que os juros não caem, porque Jerome Powell não gosta dele. “Por que eu faria isso?”, disse Trump. “Em pouco tempo eu poderei substituí-lo”, completou.
O mandato de Powell termina em 2026 e não é fácil demiti-lo. Mais uma vez, Trump estava blefando. O banco central norte-americano é uma instituição independente do governo e bastante sólida. Powell só poderia ser demitido em situação muito grave, o que não é o caso.
Na avaliação de especialistas, Powell tem feito um mandado muito técnico e deve se manter nessa direção. Portanto, ele só vai reduzir os juros quando achar que há condições para isso.
Os ataques de Trump a Powell começaram quando este último veio a público dizendo que a guerra tarifária deflagrada por Trump atingiram um nível maior do que o esperado por analistas e poderia complicar a capacidade da instituição de controlar a inflação.
O Fed possui um “mandato dual” — ou seja, busca promover a estabilidade de preços e o máximo emprego no país.