Os índices futuros dos Estados Unidos operam mistos, nesta quinta-feira (22), enquanto as bolsas europeias recuam refletindo a cautela dos investidores após a forte queda registrada na véspera. O movimento é influenciado pelas preocupações em torno do impacto fiscal de um novo projeto de lei orçamentária que tramita no Congresso dos EUA.
A proposta, de autoria do governo Donald Trump, prevê alterações tributárias e pode ser votada ainda hoje na Câmara dos Representantes. A discussão ocorre em um momento delicado, poucos dias após a agência Moody’s rebaixar a nota de crédito dos EUA, citando o aumento do déficit fiscal como fator de risco.
A agenda econômica norte-americana concentra atenções nesta manhã com a divulgação dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, dados de exportação de grãos e os índices PMI (gerentes de compras) da indústria e serviços de maio. O mercado também aguarda os números das vendas de moradias usadas em abril e declarações de Thomas Barkin, do Federal Reserve de Richmond, que podem oferecer pistas sobre a política monetária.
No Brasil, os ministérios da Fazenda e do Planejamento apresentam, às 15h, o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, com presença dos ministros Fernando Haddad e Simone Tebet. No mesmo horário, o CMN (Conselho Monetário Nacional) realiza reunião com expectativa em torno de eventuais decisões sobre metas fiscais e diretrizes de política econômica.
Brasil
Após dois dias consecutivos de recordes históricos, o Ibovespa encerrou a sessão de quarta-feira (21) com queda de 1,59%, aos 137.881,27 pontos — ainda acima da máxima histórica registrada no início do mês. O recuo marca um movimento de realização de lucros, comum após fortes altas, mas também reflete tensões no cenário internacional.
O dólar comercial caiu 0,46%, a R$ 5,643, devolvendo parte da alta da véspera. Já os juros futuros (DIs) encerraram o dia em alta ao longo de toda a curva, sinalizando que o mercado continua precificando riscos inflacionários e fiscais no horizonte doméstico.
Contudo, o pano de fundo da queda nos mercados brasileiros tem forte influência externa. Em Wall Street, os principais índices recuaram diante de preocupações com o aumento da dívida pública dos Estados Unidos.
Europa
As bolsas europeias operam no campo negativo, com os investidores atentos aos balanços de EasyJet, BT, British Land e Tate & Lyle, e à divulgação dos dados preliminares do índice de gerentes de compras (PMI) da França e do Reino Unido.
STOXX 600: -0,73%
DAX (Alemanha): -0,72%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,60%
CAC 40 (França): -0,70%
FTSE MIB (Itália): -0,73%
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA operam mistos hoje, depois de caírem fortemente na véspera. O CEO do JPMorgan Chase & Co., Jamie Dimon, disse que não pode descartar a possibilidade de a economia dos EUA entrar em estagflação (inflação alta com a economia estagnada), já que o país enfrenta enormes riscos tanto geopolíticos quanto de déficits e pressões de preços.
Dow Jones Futuro: -0,04%
S&P 500 Futuro: +0,17%
Nasdaq Futuro: +0,25%
Ásia
Os mercados asiáticas seguiram o movimento de Wall Street na véspera e fecharam a quinta-feira no vermelho, em meio ao aumento das preocupações dos investidores com a possibilidade de que um novo projeto de lei orçamentária dos EUA eleve significativamente a dívida pública do país.
Shanghai SE (China), -0,22%
Nikkei (Japão): -0,84%
Hang Seng Index (Hong Kong): -1,19%
Kospi (Coreia do Sul): -1,22%
ASX 200 (Austrália): -0,45%
Petróleo
Os preços do petróleo recuam hoje, pressionados por um aumento inesperado nos estoques de petróleo bruto e combustíveis nos Estados Unidos, o que sinaliza possível enfraquecimento da demanda. O movimento também reflete a cautela dos investidores diante das novas negociações nucleares entre Irã e EUA, que podem impactar a oferta global da commodity.
Petróleo WTI, -0,88%, a US$ 61,03 o barril
Petróleo Brent, -0,96%, a US$ 64,29 o barril
Agenda
A agenda econômica estadunidense traz os dados do auxílio-desemprego e exportação de grãos semanais, PMI de indústria e PMI de serviços de maio e moradias usadas de abril.
Por aqui, no Brasil, o governo federal avalia adiantar metade do valor devido aos aposentados e pensionistas lesados por descontos irregulares do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) com recursos públicos, enquanto aguarda o ressarcimento pelas associações suspeitas de fraude. A medida busca evitar deixar os segurados desamparados e proteger a popularidade do presidente Lula. Há divergências internas sobre o uso de recursos do Tesouro, com o Ministério da Fazenda preferindo que as associações responsáveis arquem com os custos, e a Previdência defendendo crédito extraordinário com posterior ação da AGU para ressarcimento. A decisão ainda depende do levantamento do impacto financeiro, que poderá ser mais preciso com a funcionalidade de contestação no app “Meu INSS”.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg