Quem segura a sua corda?

Quando escalo, minha única preocupação é o instante seguinte
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Escalar silencia a minha mente.

Quando escalo, minha única preocupação é o instante seguinte, o próximo movimento, qual a melhor agarra, onde encaixo o pé.

O que eu preciso é apenas encontrar um movimento, e depois outro, e depois outro, até alcançar a parada ou o topo da rocha.

Não se pode acelerar nem pular etapas.

É por isso que eu escalo.

Mas não se escala sozinho — pelo menos não de maneira amadora, digo.

A gente escala em dupla, sempre!

Um faz a seg (segurança) do outro, e vice-versa.

Isso exige uma confiança enorme no seu parceiro ou parceira de escalada.

É claro que você sempre tem o poder de escolher em qual via vai entrar, se o grau de dificuldade dela está em equilíbrio com a sua experiência.

Sim, é uma escolha deliberada e, à medida que você vai ganhando confiança, pode aumentar o grau de dificuldade.

Ninguém escala pensando que pode cair — embora possa.

E, para isso, o equipamento de segurança te protege.

Mas a pessoa que está ali, operando o equipamento, escala contigo, acompanha seus movimentos.

Vocês estão unidos por uma corda que os mantém atados.

Levei meu filho para escalar pela primeira vez.

Em uma das vias, eu fiz a segurança dele.

Não era uma subida fácil, e ele é inexperiente.

Éramos eu, Vitor, a pedra e uma corda.

Meu ombro queimava de dor e tensão, retesando a corda para garantir que ele se mantivesse escalando.

Depois que ele concluiu a via, a descida — pela corda — era minha responsabilidade exclusiva.

Eu dava o ritmo.

Eu era a garantia de que ele chegaria ao chão em segurança.

Vitor é bem maior e mais forte do que eu — não foi fácil descê-lo.

Foi uma experiência além da escalada: um misto de medo e prazer.

Eu queria apresentar aquela sensação ao meu filho, mas ter a vida dele nas minhas mãos foi assustador.

A segurança, na escalada, é uma corda.

Na vida, está em várias decisões e escolhas que fazemos sem pensar.

São movimentos rotineiros que repetimos sem calcular a melhor rota ou se temos experiência,

mas seguimos realizando, dia após dia,

apostando que o último deles vai nos levar ao fim da jornada.

Confiar — mesmo que seja no campo invisível — é preciso.

Mas nunca esqueça de checar bem seu equipamento…

…e de agradecer a quem segura a sua corda.

Sua vida pode depender disso.

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