As bolsas mundiais iniciam a segunda-feira (23) em clima de cautela após os ataques dos Estados Unidos a instalações nucleares no Irã. Apesar da gravidade do episódio, os índices futuros de ações nos EUA operam em alta moderada, enquanto os preços do petróleo recuam, sugerindo uma reação contida por parte dos investidores.
No centro das tensões está a possibilidade de uma retaliação iraniana, com destaque para a ameaça de fechamento do estratégico Estreito de Ormuz — rota crucial para o comércio global de petróleo. Embora o Parlamento do Irã tenha aprovado a proposta, a medida ainda depende de sanção do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Caso ocorra um bloqueio prolongado, analistas projetam que o preço do barril possa ultrapassar os US$ 100.
A escalada da tensão no Oriente Médio também mobiliza esforços diplomáticos. Em entrevista à Fox News, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pediu que a China — principal compradora de petróleo iraniano — pressione Teerã a manter o estreito aberto.
Enquanto isso, os mercados aguardam indicadores econômicos nos EUA, com destaque para os índices de gerentes de compras (PMIs) e dados de vendas de moradias usadas. No Brasil, o Boletim Focus do Banco Central traz as primeiras projeções após o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC elevar a Selic para 15% ao ano. O mercado avalia os efeitos da política monetária mais dura sobre o crescimento, inflação e contas públicas.
Brasil
O Ibovespa fechou a sexta-feira (20) com queda de 1,15%, aos 137.115,83 pontos, uma perda de 1.600,81 pontos. É a maior queda em um só dia desde o 1,59% de 21 de maio. O dólar comercial subiu 0,45%, a R$ 5,525.
A sessão foi a primeira após a elevação da taxa Selic. Segundo o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, em se confirmando o cenário esperado, “o Comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Europa
As bolsas europeias começam a semana em baixa, pressionados pela escalada da crise no Oriente Médio após ataques dos EUA ao Irã no fim de semana, que pegou a todos de surpresa.
STOXX 600: +0,16%
DAX (Alemanha): +0,15%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,10%
CAC 40 (França): +0,10%
FTSE MIB (Itália): -0,37%
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA avançam nesta manhã de segunda-feira, com os investidores acompanhando a escalada da tensão no Oriente Médio.
Dow Jones Futuro: +0,12%
S&P 500 Futuro: +0,23%
Nasdaq Futuro: +0,29%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam com baixa em sua maioria, depois que o ataque dos Estados Unidos a três instalações nucleares no Irã elevou os preços do petróleo e os temores dos investidores de uma escalada no conflito no Oriente Médio.
Shanghai SE (China), +0,65%
Nikkei (Japão): -0,13%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,67%
Kospi (Coreia do Sul): -0,24%
ASX 200 (Austrália): -0,36%
Petróleo
Os preços do petróleo recuam após abrirem o dia em forte alta, refletindo a tensão gerada pelos ataques diretos dos EUA ao Irã, e as ameaças de fechamento do estratégico Estreito de Ormuz — rota crucial para o comércio global de petróleo.
Petróleo WTI, -0,79%, a US$ 73,26 o barril
Petróleo Brent, -0,73%, a US$ 76,45 o barril
Agenda
Nos Estados Unidos, são aguardados para hoje o PMI de indústria e de serviços de junho, e dados de moradias usadas de maio.
Por aqui, no Brasil, pesquisa Datafolha revelou que 59% dos brasileiros preferem ser autônomos, enquanto 39% optam por emprego formal. Cresceu também de 21% para 31% o percentual dos que priorizam ganhar mais, mesmo sem carteira assinada. A preferência por trabalho próprio é maior entre os jovens e eleitores do PL, enquanto mulheres, mais velhos e pessoas de baixa renda ainda valorizam mais a CLT. Especialistas apontam que a alta dos trabalhos via aplicativo e o mercado aquecido impulsionam essa mudança. A tendência, segundo eles, é aumentar a pressão por redução dos encargos trabalhistas.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg