Terras raras viram trunfo geopolítico da China e expõem vulnerabilidade do Ocidente

Restrições impostas por Pequim agravam crise de suprimentos nos EUA e Europa
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O controle da China sobre as chamadas terras raras — elementos fundamentais para a fabricação de smartphones, veículos elétricos e equipamentos militares — voltou a colocar o país em posição estratégica nas disputas comerciais com Estados Unidos e União Europeia. Dados de reportagem do DW (Deutsche Welle) aponta que, com mais de 60% da produção global e quase 90% do refino, Pequim reforçou sua influência ao limitar as exportações de sete tipos desses minerais, além de ímãs permanentes, em abril deste ano.

As medidas, interpretadas como uma retaliação às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, provocaram gargalos imediatos nas cadeias produtivas do Ocidente. Montadoras como a Ford reduziram sua produção nos EUA, e grandes fornecedoras de autopeças, como Aptiv e BorgWarner, iniciaram projetos para eliminar a dependência de terras raras em seus motores.

A escassez preocupa: segundo pesquisa da Câmara de Comércio dos EUA na China, 75% das empresas americanas projetam esgotamento de estoques em até três meses.

China promete acelerar emissão de licenças

Em resposta à pressão empresarial, a China se comprometeu a acelerar a emissão de licenças de exportação, mas ainda há dúvidas se o alívio inclui o setor de defesa dos EUA, altamente dependente desses insumos. Consultores alertam que o regime chinês de controle não é temporário: trata-se de uma política permanente, usada como instrumento geopolítico desde 2010, quando o país suspendeu exportações ao Japão durante uma disputa territorial.

Na Europa, a situação é semelhante: 98% dos ímãs de terras raras usados por empresas do bloco vêm da China. Fábricas em vários países já enfrentam paralisações, e a Associação Europeia de Autopeças (Clepa) prevê novos impactos.

A Comissão Europeia estabeleceu a meta de produzir 7 mil toneladas desses materiais até 2030 e lançou projetos de mineração e refino na Estônia e França. Mas especialistas admitem que o bloco precisa “administrar sua dependência” com uma política industrial realista, já que alcançar a escala chinesa é inviável no curto prazo.

O G7 (grupo dos sete países mais ricos do mundo) tenta coordenar uma reação conjunta, com foco na diversificação da oferta e no fortalecimento de cadeias alternativas. Mas essa transição é lenta.

Brasil

Oito países concentram 98% das reservas conhecidas de terras raras, com a China na liderança (44 milhões de toneladas), seguida por Brasil, Índia e Austrália.

O Brasil, apesar de deter a segunda maior reserva mundial (21 milhões de toneladas), responde por apenas 1% da produção global e ainda engatinha no refino. A Índia enfrenta desafio semelhante.

Enquanto isso, países como EUA e Austrália já expandem suas capacidades, e a Groenlândia surge como nova fronteira de exploração, com apoio financeiro e diplomático do Ocidente. Porém, projetos como o Tanbreez ainda estão em fase inicial.

Até que essas fontes se consolidem, a China seguirá ditando as regras do jogo — com impactos diretos sobre indústrias, cadeias globais e segurança nacional de seus rivais.

 

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