A ala maia radical do governo de Donald Trump costura uma ação para desestabilizar a eleição brasileira. A manobra do grupo formado principalmente por deputados republicanos, aliados do segundo escalão do governo e membros do Departamento de Estado é a de convencer o presidente americano a retomar sanções contra o Brasil e, principalmente, contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Nos últimos dias, bolsonaristas encaminharam às autoridades americanas os documentos que citam as conversas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O ICL Notícias apurou que o caso já estava no radar de diplomatas americanos, que vinham acompanhando o juiz e tentando encontrar brechas para recolocar Moraes no centro de uma ação contra o Brasil.
Em 2025, o ministro já foi alvo de sanções por parte do governo Trump. Naquele momento, a alegação eram as supostas violações do brasileiro em relação à liberdade de expressão e o que foi chamado de “caça às bruxas” contra bolsonaristas. A Lei Magnitsky foi aplicada, com sanções financeira contra o ministro.
Mas o gesto acabou se transformando numa plataforma política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que denunciou o gesto dos EUA como uma ingerência na soberania brasileira.
Em dezembro do ano passado, depois de uma negociação entre os dois países, as sanções foram suspensas, deixando a ala mais radical frustrada em relação a seus objetivos.
Nos últimos meses, as decisões de Moraes sobre diversos temas deram esperanças a esse grupo nos EUA de que o ministro poderia voltar a ser foco de uma operação, principalmente por conta de suas atitudes contra plataformas digitais. Mas, ainda assim, havia resistência na cúpula do governo Trump.
Agora, a nova situação envolvendo Moraes foi recebida nos EUA como a “peça que faltava” para convencer a Casa Branca a agir.
Não existe, porém, um consenso final no governo sobre como agir. Em 2025, Trump partiu para o ataque contra Moraes e, ao impôr sanções contra Moraes, descobriu que seu gesto fez a popularidade de Lula subir a taxas inéditas. O governo transformou a ação em um ataque contra as instituições da democracia e a versão vingou.
Parte do governo norte-americano, porém, considera que o cenário é outro agora. As revelações das ligações entre Moraes e Daniel Vorcaro teriam abalado, segundo eles, a imagem do ministro do STF como defensor da democracia.
A chance de uma sanção, agora, seria acompanhada por um sentido de “legitimidade” e casaria com a narrativa de Trump de acusar juízes de “corruptos”.
Um levantamento foi encomendado nesta semana com 2 mil brasileiro para tentar entender qual seria a reação popular no Brasil, caso novas sanções fossem impostas. O cálculo é de que, faltando cinco semanas para a eleição no país, um abalo na opinião pública poderia ser definitivo. Ou seja, se os EUA errarem na aplicação da sanção, não haveria tempo suficiente para desfazer o impacto.
Mas as sinalizações apontam que o resultado do levantamento reforçou a ideia de que, hoje, sanções contra Moraes não gerariam a mesma indignação popular. Ao mesmo tempo, criariam um cenário de desestabilização institucional e política no Brasil. Para uma das fontes ouvidas pelo ICL Notícias, seria uma “ação decisiva”.
Outro aspecto sendo considerado é o eventual encontro entre Lula e Trump, às margens da Assembleia Geral da ONU. O encontro ocorre no final de setembro e, pela ordem dos discursos em Nova York, uma vez mais os dois presidentes estarão juntos nas salas que dão acesso ao palco central da ONU:
No mês passado, o jornal britânico Financial Times revelou que o governo Donald Trump estaria considerando aplicar novas sanções contra Moraes.
Se aplicadas, as sanções representariam mais um teste para a já tensa relação entre os dois governos, Ainda que seja contra um ministro do STF, o governo Lula passou a adotar a postura de que uma sanção seria contra as instituições do país.
O gesto é ainda visto como um sinal de que, em um momento chave da eleição, Trump avalia escalar a ingerência no processo de escolha do próximo presidente.
Tanto o Palácio do Planalto quanto o Itamaraty consideram que a intromissão da Casa Branca para favorecer Flávio Bolsonaro já é uma realidade. O governo estima que, nas próximas semanas, as ações por parte de Washington vão ser multiplicadas.
De acordo com o FT, antes das revelações com Vorcaro, um dos motivos para repensar a sanção seria a decisão de Moraes de agir contra um jornalista no Maranhão. O ministro autorizou a quebra de sigilo das comunicações do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, de 40 anos. O caso seria usado na Casa Branca como “prova” de que o ministro seria um “inimigo” da liberdade de expressão.
Citando pessoas próximas ao poder nos EUA, o jornal destacou que a figura de Moraes é alvo de duras críticas em Washington.
“Ele está perseguindo os apoiadores do presidente. Não apenas Elon Musk, mas também os apoiadores do MAGA no Brasil”, acrescentou uma pessoa familiarizada com o pensamento do governo americano.
“Mesmo que queiramos um bom relacionamento com o Brasil, obviamente esse cara é um inimigo.” A reimposição das medidas Magnitsky estava “sob consideração”, disse outra pessoa.
Mas o caso do Maranhão não é o único. “Havia muitos fatores [e] um padrão consistente de abuso. Este é apenas o mais recente”, acrescentou, referindo-se ao caso do jornalista. “As preocupações nunca desapareceram.”