O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria disposto a flexibilizar algumas restrições à venda de chips para a China, desde que o governo chinês acelere a exportação de terras-raras para os EUA, um recurso estratégico vital para múltiplos setores industriais e de defesa.
Na véspera (9), após mais de seis horas de intensas negociações em Londres, representantes dos governos dos Estados Unidos e da China demonstraram avanços, ainda que cautelosos, na busca por um acordo que reduza a crescente tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo. A reunião deve seguir nesta terça-feira (10), sendo acompanhada com bastante atenção pelos mercados.
Na última semana, uma conversa telefônica entre Trump e Xi Jinping pareceu reacender as esperanças de um entendimento, embora as disputas tarifárias e as retaliações continuem gerando incertezas significativas para empresas e mercados globais.
A rodada de conversas, realizada na Lancaster House, contou com a presença da delegação norte-americana liderada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent; o secretário do Comércio, Howard Lutnick; e o representante Comercial, Jamieson Greer. Do lado chinês, o vice-primeiro-ministro, He Lifeng, comandou a comitiva, que manteve silêncio à imprensa após o encontro.
A troca comercial entre as duas potências tem sido marcada por uma escalada tarifária promovida por Trump, que chegou a superar 100% em alguns produtos, levando a uma trégua de 90 dias firmada em maio, quando a expectativa era de um acordo que pudesse mitigar o conflito.
Trump tenta quebrar monopólio chinês sobre terras-raras
No entanto, as negociações enfrentam dificuldades centrais, especialmente o controle chinês sobre as vendas de minerais de terras-raras — indispensáveis para a fabricação de smartphones, veículos elétricos, equipamentos militares e até reatores nucleares — e o acesso limitado dos chineses a semicondutores americanos, cuja produção inclui chips de última geração.
Fontes próximas às negociações dizem que o governo Trump estaria pronto para remover recentes restrições impostas a exportações tecnológicas, incluindo chips avançados, componentes para motores a jato e materiais nucleares. Em contrapartida, exige que a China libere em grande volume as remessas de terras-raras, sobre as quais detém quase 70% da produção mundial.
Kevin Hassett, chefe do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, confirmou a disposição americana de flexibilizar controles, excetuando os chips mais sofisticados da Nvidia, considerados essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial.
Minerais como ferramenta de influência
A postura chinesa, por sua vez, evidencia o uso estratégico dos minerais essenciais como ferramenta de influência.
Especialistas avaliam que o monopólio quase absoluto da China sobre essas matérias-primas transforma as terras-raras em uma “moeda de troca significativa” nas negociações, um fator que torna as conversas particularmente delicadas.
Essa rodada representa o primeiro encontro formal desde que os países se reuniram há um mês, numa tentativa de restabelecer a confiança para que ambos cumpram os compromissos assumidos em Genebra.
Além de reduzir temporariamente tarifas elevadas, as discussões refletem um cenário de complexidade crescente, marcado por um jogo estratégico onde cada lado tenta equilibrar interesses econômicos e de segurança nacional.