TCU: Bolsa Família é único programa a cumprir 100% das metas do governo Lula

Enquanto maioria dos programas falha em entregas, iniciativa de transferência de renda é destaque em efetividade e impacto social
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O Bolsa Família se consolidou como o único programa do governo Lula a cumprir integralmente suas metas e entregas em 2024, segundo auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) com base no primeiro ano de execução do Plano Plurianual (PPA) 2024–2027.

A análise abrangeu os dez programas com maior orçamento da União, que juntos representam 72,5% do total empenhado. Apenas o Bolsa Família teve 100% de sucesso tanto no cumprimento das metas quanto nas entregas efetivas à população. Os demais — incluindo áreas estratégicas como Previdência, saúde, educação e infraestrutura — ficaram aquém dos objetivos estabelecidos.

De acordo com o relatório do TCU, o Bolsa Família não apenas alcançou as metas previstas, como também apresentou impacto mensurável na redução da pobreza extrema. Em 2023, entre os beneficiários do programa, a taxa de extrema pobreza foi de 4,4%, contra 11,2% entre os não beneficiários, evidenciando o efeito direto da transferência de renda na redução da vulnerabilidade social.

Além disso, o Bolsa Família atingiu seus objetivos específicos relacionados a frequência escolar, acompanhamento de saúde e inclusão social, se destacando em um cenário no qual apenas 45% das metas estratégicas do governo foram cumpridas e apenas 27% das entregas efetivas chegaram à população.

Para o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, os resultados são um sinal claro de que o governo está conseguindo executar as políticas sociais com mais eficiência. “O Bolsa Família mostra que é possível gerar impacto real quando há clareza de metas, boa gestão e foco na população mais vulnerável”, afirmou.

Contraste do Bolsa Família com demais programas

Enquanto o Bolsa Família apresenta resultados sólidos, a maioria dos programas avaliados pelo TCU mostra desempenho fraco ou apenas intermediário. Programas de educação básica, infraestrutura de transporte, mineração sustentável e Previdência Social não conseguiram cumprir metas essenciais.

O caso mais grave foi o do programa de infraestrutura rodoviária, que recebeu R$ 12,8 bilhões, mas cumpriu apenas 11% das entregas planejadas. Na educação básica, mesmo com orçamento de R$ 68,9 bilhões, apenas 20% dos objetivos foram alcançados. O programa não atinge a meta do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) desde 2011.

O TCU apontou ainda problemas estruturais como restrições orçamentárias, falta de servidores especializados e metas mal definidas, com indicadores genéricos que dificultam a medição de resultados concretos.

Modelo de gestão como diferencial

Na avaliação do relator da análise, ministro Jhonatan de Jesus, o êxito do Bolsa Família se deve em grande parte à maturidade do seu modelo de gestão. “A administração federal alcançou avanços inegáveis em programas com modelo consolidado, como o Bolsa Família. É um exemplo de como políticas públicas bem estruturadas podem, de fato, entregar resultados à população”, destacou.

O Ministério do Planejamento reconheceu que o relatório expõe gargalos estruturais de longa data na máquina pública e reafirmou o compromisso do governo em “reorganizar e reconstruir capacidades estatais para melhorar a implementação de políticas públicas”.

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