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Por Thaís Araújo
(Folhapress) — O advogado André Callegari deixou a defesa do bicheiro Rogério Andrade. Ele citou “motivos éticos e “divergências estratégicas” em comunicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Callegari confirmou o conteúdo da notificação ao UOL.
O ministro Nunes Marques foi informado pelo advogado no dia 20 de abril. Dois dias antes, o magistrado suspendeu as medidas cautelares contra Rogério, como o uso da tornozeleira eletrônica e o recolhimento noturno.
Rogério Andrade usou a tornozeleira eletrônica por um ano e quatro meses. Ele foi preso em 2022 após uma operação do MP que investigou a exploração de jogos de azar no Rio e o pagamento de propina a policiais.
Em dezembro, um ministro do STJ determinou a soltura de Andrade, mas estabeleceu o uso de tornozeleira eletrônica. O advogado, então, entrou com pedido no STF e foi atendido.
Quem é
Rogério é acusado de chefiar uma organização criminosa que domina o jogo do bicho, máquinas de caça-níqueis, bingos e cassinos em bairros da zona oeste do Rio. O bicheiro também é patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel.
Ele assumiu os negócios da família em 1997 após a morte do tio, Castor de Andrade. A princípio, a posição seria ocupada pelo filho de Castor, Paulo Roberto de Andrade, mas ele foi assassinado um ano após a morte do pai. Rogério chegou a ser condenado como mandante da morte do primo, mas depois foi absolvido.
Com a morte de Castor, os contraventores passaram a travar uma sangrenta disputa pelo controle do jogo do bicho. Segundo investigações da Polícia Federal, mais de 50 assassinatos até 2007 são atribuídos à guerra da contravenção.

No dia 16 de abril, Nunes Marques suspendeu uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno do contraventor. Foto: Divulgação/ STF
Advogado sai após decisão monocrática
No dia 16 de abril, o ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento noturno que havia sido imposto ao bicheiro Rogério Andrade.
A decisão foi tomada em processo que corre em segredo de Justiça. O bicheiro usava o aparelho há cerca de um ano e meio.
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