Publicada originalmente às 06h42*
O Brasil optou por aderir ao consenso numa resolução no Conselho de Direitos Humanos da ONU, nesta quarta-feira, contra os ataques do Irã aos países do Golfo.
A proposta havia sido apresentada pelo Bahrein e outros países da região, com o apoio de Argentina, Europa e mais de 80 governos. O texto ainda pede que os iranianos compensem os países afetados pelos danos causados e não citava os ataques por parte de EUA e Israel.
Mas, numa barganha, os países que resistiam ao projeto de resolução conseguiram a aprovação da convocação de uma segunda reunião de emergência para, desta vez, tratar exclusivamente dos ataques contra uma escola no sul do Irã e que deixou mais de 150 mortos. A suspeita de investigações realizadas nos EUA é de que o ataque foi realizado pelos militares norte-americanos.
Num discurso antes da votação, o governo brasileiro deixou claro que seria necessário também apontar para os crimes cometidos por “todos os lados”, numa referência velada aos americanos e israelenses.
Durante o encontro, dezenas de países saíram ao apoio dos governos do Golfo que, desde o início da guerra, tem sido alvejados por mísseis do Irã. Mas, ao lado de Espanha, África do Sul, China e outros governos, o Brasil adotou um tom diferente.
“O governo brasileiro expressa sua profunda preocupação com a situação dos direitos humanos na região, em decorrência da escalada das hostilidades no Golfo Pérsico e no Oriente Médio em geral, iniciada pela agressão contra o Irã em 28 de fevereiro”, afirmou o embaixador brasileiro na ONU, Tovar da Silva Nunes.
Em seu discurso, ele pediu que “todas as partes, sem exceção, a respeitarem o direito internacional, incluindo o direito internacional dos direitos humanos, o direito internacional humanitário e a Carta das Nações Unidas”.
“É imperativo que todos os atores implementem medidas eficazes para garantir a proteção absoluta de civis e infraestruturas civis”, afirmou.
“O Brasil manifesta sua solidariedade à Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait, Omã e Jordânia, bem como a todos os demais países afetados pelas hostilidades em curso no Oriente Médio”, disse.
Crimes de guerra
Mas o Brasil também sinalizou para a necessidade de uma investigação sobre os crimes cometidos até agora, numa alusão às mortes de crianças também no Irã.
“Instamos todas as partes a realizarem investigações imediatas, minuciosas e independentes sobre as alegadas violações dos direitos humanos e do direito humanitário, incluindo potenciais crimes de guerra, para garantir a plena responsabilização”, disse o embaixador.
O governo brasileiro ainda criticou as sanções adotadas contra o Irã e denunciou “as medidas coercitivas unilaterais violam o direito internacional, afetam o gozo dos direitos humanos pela população mais vulnerável e minam o sistema multilateral”.
“Em conclusão, o Brasil apela para negociações de boa-fé, fundamentadas no respeito à soberania e ao direito à autodeterminação. Exigimos um cessar-fogo imediato nesses conflitos regionais, que permita a criação das condições necessárias para uma solução diplomática que assegure uma paz duradoura”, completou.