Caso Dark Horse continua sem avanço na PGR quase um mês após envio de Moraes

PGR afirma que não há previsão para manifestação sobre representação encaminhada por Moraes no fim de maio
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Por Cleber Lourenço

A representação que pede apuração sobre possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse completa na próxima semana um mês sem qualquer desdobramento público. O procedimento chegou à Procuradoria-Geral da República (PGR) em 26 de maio, após ser encaminhado pelo ministro Alexandre de Moraes, e até o momento não houve manifestação conhecida sobre eventual abertura de investigação ou encaminhamento do caso.

A representação teve origem em um pedido apresentado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). No documento, o parlamentar solicitou a apuração de suspeitas de que recursos destinados ao filme inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro possam ter sido utilizados para finalidades distintas da produção cinematográfica.

Entre as hipóteses levantadas estão a possibilidade de que parte desses recursos tenha financiado uma campanha contra autoridades brasileiras, apoiado articulações em favor da anistia de Jair Bolsonaro e até contribuído para ações voltadas à imposição de tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

A falta de avanço também mantém o assunto sem movimentação visível na Polícia Federal. Em entrevista ao ICL Notícias no mês passado, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, afirmou que o material estava sob análise técnica da PF.

Desde então, não houve anúncio de instauração de inquérito nem qualquer posicionamento público da PGR sobre a representação.

O caso tem origem em reportagens reveladas pelo Intercept Brasil que apontaram suspeitas sobre a estrutura financeira utilizada para viabilizar o filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro. As reportagens levantaram questionamentos sobre a origem dos recursos empregados na produção e possíveis conexões com empresas e estruturas financeiras que também aparecem em investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

As revelações deram origem a uma série de representações e pedidos de apuração apresentados a diferentes órgãos, incluindo a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal.

Informações obtidas pela reportagem indicam, porém, que o caso ainda não chegou ao gabinete do ministro André Mendonça, relator dos procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero no STF.

Segundo uma fonte na corte com conhecimento da tramitação interna, não há atualmente nenhum procedimento relacionado ao tema sob análise do ministro.

“Os ministros só atuam na fase de inquérito após pedido da PF e oitiva da PGR”, afirmou a fonte.

A declaração sugere que, caso exista alguma apuração em andamento, ela permanece em fase preliminar dentro da própria Polícia Federal. A mesma fonte ressaltou que a análise mencionada anteriormente por Andrei Rodrigues se refere exclusivamente aos procedimentos técnicos conduzidos pela corporação.

“Análise técnica deles, né”, disse.

Questionada sobre a ausência de desdobramentos públicos desde maio, a fonte ponderou que o volume de informações reunidas no caso pode explicar a demora.

“Deve ser dado pra caramba para analisar. Acho possível que estejam olhando mesmo”, afirmou.

A informação reforça que, quase um mês após a representação ser apresentada, o caso continua em estágio preliminar. Sem manifestação da PGR e sem procedimento distribuído ao STF, a última informação oficial conhecida segue sendo a declaração de Andrei Rodrigues de que os fatos estavam sob análise técnica da Polícia Federal.

Em maio, após ser questionado pelo ICL Notícias, o diretor-geral da PF confirmou que o material relacionado ao caso estava sendo examinado pelas áreas competentes da corporação. Desde então, porém, não houve comunicação pública sobre conclusão da análise, instauração de investigação ou envio de pedido formal ao Supremo Tribunal Federal.

Na prática, o caso permanece aguardando definições internas dos órgãos responsáveis pela análise das representações apresentadas após as revelações envolvendo o financiamento do filme.

Procurada pela reportagem, a Procuradoria-Geral da República informou que não há previsão para manifestação do procurador-geral da República sobre o caso.

A resposta indica que, passados quase 30 dias do recebimento da representação, ainda não existe prazo definido para uma eventual análise ou encaminhamento do procedimento. Com isso, o caso segue sem desdobramentos públicos tanto na PGR quanto na Polícia Federal, onde o material continua sem conclusão conhecida da análise técnica mencionada anteriormente pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail