Movimentos sociais do mundo: o potencial transformador da coletividade

Se hoje temos direitos que protegem nossa existência enquanto uma comunidade diversa e plural, é por que muita luta coletiva conseguiu conquistar avanços e frear retrocessos
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Por Iago Filgueiras*

Ao olharmos para a realidade que nos cerca, percebemos que a injustiça e a desigualdade têm acompanhado nossa sociedade há milênios. Mas, assim como a opressão, a luta coletiva por direitos e liberdade também tem marcado presença. E os movimentos sociais do mundo são uma ótima forma de analisar nossa história e encontrar a esperança de que dias melhores são possíveis.

Ao longo dos séculos, se os direitos conquistados tornaram a existência em uma sociedade tão desigual um pouco mais tolerável, foi porque muita gente se organizou e encontrou formas de pressionar por mudanças e construir novas possibilidades.

As lutas que mobilizaram muita gente no passado ainda ecoam no presente. Se no século 20 as mulheres conseguiram direito ao voto em diversas partes do mundo, em 2025, o Secretário de Defesa dos EUA publicou o vídeo de um pastor dizendo que o voto feminino deveria ser revogado.

Por isso, neste artigo, vamos conhecer alguns movimentos sociais do mundo e como as conquistas que eles conseguiram ainda precisam ser defendidas.

Movimento ambientalista

A preocupação com o meio ambiente não é novidade. Diversas sociedades antigas entendiam os recursos naturais como finitos e buscavam preservá-los. O capitalismo, porém, consolidou um modelo de exploração da natureza predatório e insustentável.

O impacto humano sobre o meio ambiente já havia se intensificado na Revolução Industrial, no século 18. Mas foi só após a Segunda Guerra Mundial que o movimento ambientalista ganhou força, trazendo o debate público à tona. Em muitos casos, o estrago já estava feito e a luta passou a ser pela contenção de danos.

O presente, porém, exige urgência. A média da temperatura global já está 1,6 ºC acima do período pré-industrial. Mais de 7 milhões de pessoas morrem a cada ano devido à poluição, e até 2100, cinco países podem desaparecer com o avanço dos oceanos.

Diante desse cenário, os movimentos sociais do mundo têm se mobilizado para frear o colapso climático.

O movimento ambientalista na atualidade

Ao longo das últimas décadas, o movimento ambientalista conseguiu pautar transformações profundas em nossa sociedade. A luta coletiva foi responsável por pressionar governos e instituições a buscar formas de minimizar o impacto humano na natureza, rever práticas produtivas e aprovar legislações. Conheça algumas:

  • Protocolo de Montreal: o acordo, assinado em 1987 por todos os países e territórios membros da ONU, eliminou a produção e consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio, como o gás CFC (clorofluorcarboneto).
  • Protocolo de Kyoto: foi um acordo internacional firmado em 1997 e que esteve em vigor entre 2005  e 2020. O documento visava frear a emissão de gases do efeito estufa, mas foram tantas flexibilizações e descumprimentos, que a ideia fracassou.
  • Acordo de Paris: esse tratado, assinado em 2015, substituiu o Protocolo de Kyoto. O acordo tem como objetivo limitar o aumento da temperatura global a até 2°C acima dos níveis pré-industriais.
Em 2019, em uma das greves estudantis pelo clima, milhares de estudantes tomaram as ruas de mais de 1500 cidades pelo mundo. Foto: Georgia O'callaghan / Getty Images
Em 2019, em uma das greves estudantis pelo clima, milhares de estudantes tomaram as ruas de mais de 1500 cidades pelo mundo. Foto: Georgia O’callaghan / Getty Images

Embora conquistados após muita luta, esses acordos sofrem ameaças constantes. Em 2025, os Estados Unidos saíram do Acordo de Paris. A nação é o segundo maior emissor mundial de gases do efeito estufa.

Esse cenário tem levado os movimentos sociais do mundo ambientalista a assumirem posições mais radicais. Organizações como o Fridays for Future (Sextas-feiras pelo Futuro) ganharam destaque. Falando sobre esse movimento, o mesmo promove greves estudantis para que alunos participem de mobilizações a fim de pressionar por medidas de combate às mudanças climáticas.

O Fridays for Future foi responsável pela popularização da jovem ativista Greta Thunberg. Mas a popularidade logo caiu quando a mídia deixou de dar espaço a ela. O motivo? Greta constatou que o modelo econômico em que vivemos, o capitalismo, é a maior causa da catástrofe climática e para mudar o cenário, é preciso superá-lo.

E é justamente isso que molda vários movimentos sociais do mundo ambientalista na atualidade. Alguns, entendem que a única forma de evitar o colapso climático é a superação do sistema econômico atual e a construção de uma sociedade mais justa.

Se interessou pela trajetória do movimento ambientalista e quer saber mais sobre as pautas históricas e conquistas? Já abordamos o assunto neste artigo.

O movimento negro e a luta contra escravidão, segregação e racismo estrutural

A luta do movimento negro atravessa séculos, continentes e, em muitos lugares do mundo, se conecta por uma resistência heroica ao imperialismo e colonialismo. Do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas à resistência dos quilombos, passando pelas rebeliões no Caribe e nas Américas — como a Revolução Haitiana — o combate a escravidão marcou a história de um dos mais expressivos entre os movimentos sociais do mundo.

Após a abolição no século 19, a pauta voltou-se para os direitos civis. No século 20, nos Estados Unidos, os Panteras Negras criaram patrulhas armadas contra a violência policial e ações sociais como cafés da manhã para crianças gratuitos. Figuras como Rosa Parks, Martin Luther King Jr. e Malcolm X se tornaram símbolos globais. Já na África do Sul, Nelson Mandela liderou a luta contra o apartheid, sistema de segregação racial imposto pelo Estado.

Esses marcos pavimentaram o caminho que consolidou o movimento negro como força essencial na denúncia do racismo estrutural e na defesa de mudanças profundas. Mais do que memória de resistência, sua história conecta identidade, justiça social e transformações que atravessam fronteiras.

O movimento negro hoje

Embora com muitos avanços, pautas históricas do movimento negro permanecem sendo disputadas. Do Brasil aos Estados Unidos e à Europa, a letalidade policial e o encarceramento em massa permanecem desafios universais.

Em 2020, a morte de George Floyd, um homem negro que morreu asfixiado após o policial Derek Chauvin permanecer por mais de 9 minutos com o joelho pressionado contra seu  pescoço, gerou protestos que se espalharam por diversas cidades do mundo. Um caso similar também ocorreu em 2016, quando Adama Traoré, um jovem negro de origem franco-malesa, morreu sob custódia policial em uma prisão na França.

Em 2020, o assassinato de George Floyd resultou em manifestações que se espalharam pelos Estados Unidos e por outros países do mundo, amplificando a presença da #BlackLivesMatter em diversas plataformas digitais. Foto: AFP/Daniel Leal-Olivas
Em 2020, o assassinato de George Floyd resultou em manifestações que se espalharam pelos Estados Unidos e por outros países do mundo, amplificando a presença da #BlackLivesMatter em diversas plataformas digitais. Foto: AFP/Daniel Leal-Olivas

Na atualidade, o movimento negro incorpora a interseccionalidade como ferramenta essencial. Raça, gênero, classe e sexualidade são fatores que, somados, potencializam desigualdades. Essa abordagem amplia as vozes dentro do movimento, valorizando a centralidade de mulheres negras, pessoas LGBTQIA+, populações periféricas e trabalhadores.

Na América Latina, continente marcado por um brutal histórico de violência contra a população negra, movimentos se uniram para pleitear a criação do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data de luta e resistência comemorada em 25 de julho.

No século 21, as redes sociais tornaram-se espaço poderoso de denúncia e mobilização, resultando em ações coletivas ao redor de todo o mundo. No entanto, o avanço da extrema direita tem representado um desafio cada vez maior para as conquistas do movimento. Nos Estados Unidos, setores trumpistas defendem o perdão presidencial a Derek Chauvin, policial que assassinou George Floyd.

Mais do que nunca, a batalha contra o racismo exige organização coletiva capaz de transformar indignação em mudanças estruturais.

Movimento operário: da Revolução Industrial à era digital

O movimento operário nasceu junto à Revolução Industrial, no século 18, em um cenário de concentração de riqueza e exploração extrema. Jornadas de mais de 16 horas, trabalho infantil e ausência total de direitos marcavam a vida de milhões de trabalhadores.

A resposta veio em greves, paralisações e até sabotagens organizadas por sindicatos, que conquistaram a redução da jornada, melhorias nas condições de trabalho e reconhecimento da organização coletiva. O 1º de maio, Dia do Trabalhador, se consolidou como símbolo internacional dessa luta.

Ao longo dos séculos 19 e 20, o movimento operário desempenhou papel central em reformas sociais, impulsionando direitos trabalhistas e promovendo melhores condições de vida. Embora as conquistas do movimento sejam frequentemente vítimas de ataques por parte de grandes empresários e setores políticos neoliberais, a luta dos operários tornou-se referência global de mobilização contra a desigualdade.

Hoje, sua trajetória segue como um dos pilares da história dos movimentos sociais do mundo. Muitas conquistas sociais, portanto, não foram concessões espontâneas, mas frutos da luta organizada dos trabalhadores.

Uberização e novos formatos de luta dos movimentos sociais do mundo

O século 21 trouxe novos desafios para todos os movimentos sociais do mundo, entre eles o operário. O avanço do neoliberalismo, pautado por uma lógica de flexibilização dos direitos trabalhistas e privatizações, enfraqueceu os direitos trabalhistas conquistados após décadas de luta. No Brasil, o cenário ficou evidente após a aprovação das Reformas da Previdência e Trabalhista.

O surgimento das plataformas digitais promoveu um retrocesso na garantia de direitos: trabalhadores de aplicativo, sem garantia de direitos e sem vínculo empregatício revelam um cenário de exploração similar ao da Revolução Industrial. Agora, o capital continua concentrado em poucas mãos, mas o algoritmo se tornou o “diretor” da fábrica. Surgem, então, novos movimentos sociais ao redor do mundo para combater essa lógica.

No mundo todo, diversos trabalhadores de plataformas digitais têm lutado pela regularização de suas atividades e garantia de direitos trabalhistas fundamentais. Foto: Jay Janner/Austin American-Statesman
No mundo todo, diversos trabalhadores de plataformas digitais têm lutado pela regularização de suas atividades e garantia de direitos trabalhistas fundamentais. Foto: Jay Janner/Austin American-Statesman

No Reino Unido, trabalhadores precarizados que trabalham para plataformas como a Uber, conquistaram o reconhecimento do vínculo empregatício. Em 2021, a empresa reconheceu o primeiro sindicato de motoristas de aplicativo do mundo.

A auto-organização dos trabalhadores de plataforma tem sido uma marca dos movimentos operários na atualidade. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) avaliou mais de 1.200 protestos de trabalhadores de plataformas pelo mundo. Em 80% deles, organizações autogeridas foram fundamentais para a organização.

Em todo o mundo, o movimento operário enfrenta a retirada de direitos e o esvaziamento dos espaços de debate. Assim, novas configurações têm se tornado fundamentais para defender e ampliar os direitos conquistados.

Direitos e visibilidade: a luta dos movimentos sociais LGBTQIA+

A história do movimento LGBTQIA+ é marcada pela resistência de pessoas cuja existência foi, por séculos, criminalizada e silenciada. Relações homoafetivas foram perseguidas em diferentes culturas e identidades de gênero dissidentes foram reprimidas, seja por normas religiosas, médicas ou legais.

A explosão do ativismo moderno ganhou força com a Revolta de Stonewall, em 1969, em Nova York, quando lésbicas, gays, pessoas trans e drag queens reagiram à violência policial. Nos anos 1980, a epidemia de HIV/AIDS aprofundou o estigma, mas também impulsionou a mobilização por saúde e direitos.

A Revolta de Stonewall foi uma série de conflitos entre a polícia e a comunidade LGBTQIA+ após uma batida policial no bar Stonewall Inn, se tornando um marco do movimento LGBTQIA+ moderno. Foto: reprodução
A Revolta de Stonewall foi uma série de conflitos entre a polícia e a comunidade LGBTQIA+ após uma batida policial no bar Stonewall Inn, se tornando um marco do movimento LGBTQIA+ moderno. Foto: reprodução

A partir daí, as pautas do movimento expandiram-se: o reconhecimento do casamento igualitário, a proteção legal contra a discriminação e, sobretudo, a visibilidade de pessoas trans, travestis, bissexuais, intersexo e não-binárias.

Ao longo de sua trajetória, o movimento LGBTQIA+ consolidou-se como uma força plural e diversa, fundamental na luta contra as estruturas de exclusão e violência que ainda persistem no mundo.

Direitos em disputa: a luta LGBTQIA+ no século 21

No cenário contemporâneo, o movimento LGBTQIA+ convive com avanços expressivos e retrocessos alarmantes. Em cerca de dez países, relações homoafetivas ainda podem levar à pena de morte, enquanto em outras regiões a conquista de direitos civis, como o casamento igualitário e o reconhecimento de identidades de gênero diversas, marcam passos históricos.

Essa dualidade revela que a luta pela dignidade e pelo respeito continua a ser profundamente desigual ao redor do mundo.

A epidemia de HIV/AIDS permanece como uma memória coletiva de dor e mobilização. Se hoje existem medicamentos capazes de tornar a carga viral indetectável e não transmissível, “foi a solidariedade de lésbicas e pessoas trans que sustentou o cuidado de pessoas que estavam no olho do furacão durante epidemia de Aids nos anos 80 e 90”, afirma Laura Ribeiro, escritora, estudante de pedagogia e militante do movimento HIV/Aids

Na atualidade, longe de ser uma pauta exclusiva do movimento LGBTQIA+, a luta por direitos das pessoas vivendo com HIV é inseparável da interseccionalidade. Para Laura, “se você não tem moradia, trabalho, nem alimentação garantida, quem dirá acesso ao médico?”.

Entre os desafios atuais do movimento, além da pressão da extrema direita e de setores conservadores que buscam retroceder em relação às conquistas históricas do movimento, há também o surgimento de organizações transexcludentes, que ignoram a participação e contribuição das pessoas transsexuais na comunidade.

Na imagem, um jovem vietnamita segura um cartaz com os dizeres “deixe sua verdadeira cor brilhar”, durante uma marcha em defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+. Foto: AP Photo/Hau Dinh
Na imagem, um jovem vietnamita segura um cartaz com os dizeres “deixe sua verdadeira cor brilhar”, durante uma marcha em defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+. Foto: AP Photo/Hau Dinh

Movimento feminista: da luta pelo voto ao feminismo interseccional

O movimento feminista tem raízes profundas na busca por igualdade entre mulheres e homens. No século 19, a primeira onda destacou-se pela luta pelo direito ao voto, conquistado em diferentes países ao longo das décadas seguintes.

No século 20, a segunda onda ampliou a pauta para questões como direito ao trabalho, autonomia sexual e igualdade jurídica. Nos anos 1990, a terceira onda trouxe novas vozes e ampliou a diversidade de perspectivas, incorporando o debate sobre raça, classe e identidade de gênero.

A história do movimento feminista é vasta e complexa e já foi abordada mais profundamente neste artigo.

Mais recentemente, o feminismo interseccional reforça que diferentes opressões se somam e moldam experiências únicas. Em diferentes partes do mundo, o movimento contribuiu para transformar leis, instituições e práticas sociais, mas também enfrentou resistências de estruturas patriarcais profundamente enraizadas.

A história do feminismo mostra que a luta pela emancipação das mulheres sempre foi parte central das transformações sociais e culturais da humanidade.

Feminismo global na atualidade: redes sociais, violência e direitos reprodutivos

O feminismo na atualidade, assim como outros movimentos sociais do mundo, demonstra que a luta ainda está longe de terminar. Embora as diversas ondas do movimento feminista tenham acumulado uma série de vitórias, as mulheres ainda sofrem com a desigualdade salarial, violência estrutural e tutela sobre os próprios direitos reprodutivos.

O machismo permanece institucionalizado, estando presente no mercado de trabalho, nas casas legislativas e nos tribunais de todo o mundo. Se antes as mulheres precisaram lutar para serem incluídas no mercado de trabalho, hoje a dupla jornada é uma realidade para milhares delas e o acúmulo de funções, principalmente para mães, é motivo de questionamentos.

Em 2017, as redes sociais foram tomadas pela hashtag MeToo, um símbolo da denúncia contra o assédio e violência sexual, principalmente no local de trabalho. Diversas celebridades de Hollywood expuseram casos, o que resultou na acusação e posterior condenação de Harvey Weinstein, influente produtor de cinema estadunidense, por diversos casos de violência sexual.

Movimentos sociais como o Ni Una Menos, nascido na Argentina, rapidamente ganhou impulso nas redes sociais, ecoando a denúncia contra os altos índices de feminicídio por toda a América Latina. O movimento consolidou o lenço verde, como um símbolo da luta contra a violência de gênero e pela defesa do aborto legal.

Em 2019, milhares de mulheres argentinas tomaram as ruas para lutar contra o feminicídio, gerando uma onda de protestos similares em diversos países da América Latina. Foto: Facción Buenos Aires
Em 2019, milhares de mulheres argentinas tomaram as ruas para lutar contra o feminicídio, gerando uma onda de protestos similares em diversos países da América Latina. Foto: Facción Buenos Aires

Em 2022, milhares de mulheres tomaram as ruas de Teerã, capital iraniana, para protestar contra a morte da jovem Mahsa Amini, morta sob custódia policial por violar o código de vestimenta local. O movimento levou o governo local a restringir a disponibilidade de internet e o acesso às redes sociais como forma de conter o aumento das manifestações.

No cenário contemporâneo, o avanço de discursos ultraconservadores ameaça conquistas históricas, especialmente nos direitos reprodutivos e na educação sexual. Nesse contexto, o movimento feminista contemporâneo reafirma sua relevância como força global de transformação, capaz de expor desigualdades enraizadas e propor novas formas de viver em sociedade.

A luta é coletiva

Os movimentos sociais do mundo nos mostram que as lutas não operam isoladamente. A trajetória de cada um deles se entrelaça e o debate coletivo e interseccional se faz necessário.

O racismo climático prova que comunidades marginalizadas são historicamente afetadas de forma desproporcional pelo impacto das mudanças no meio ambiente. O retrocesso em conquistas trabalhistas empurra cada vez mais gente para a informalidade e mulheres negras tendem a ser mais afetadas se comparadas a homens brancos. Em todo o mundo, pessoas transsexuais precisam lidar com a precarização e a falta de acesso ao mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que enfrentam altos índices de violência.

Laura Ribeiro, militante do movimento HIV/AIDS e LGBTQIA+, afirma que é insuficiente restringir o debate apenas à luta de classes: raça, gênero, sexualidade e identidade também definem quem tem acesso a direitos.

Para ela, dar nome às coisas e incluir todas as identidades “é fundamental em um mundo em que a hegemonia ainda é ser hétero, branco e cisgênero”. Essa compreensão aponta para algo maior: os movimentos sociais são compostos pela pluralidade, e ignorar as múltiplas camadas de opressão que atravessam os corpos e as vidas enfraquece a luta por transformação.

O legado desses movimentos se reflete diariamente em nosso cotidiano — nos direitos que temos, nas liberdades que exercemos, nas dignidades que reivindicamos. E serve, sobretudo, de inspiração e combustível para continuar resistindo, defendendo conquistas ameaçadas e construindo, coletivamente, o mundo que acreditamos: mais justo, plural e verdadeiramente livre.

*Estagiário sob supervisão de Leila Cangussu

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