CPI convoca ex-noiva de Vorcaro e mira fundos ligados ao Banco Master

Comissão tenta mapear beneficiários finais de estruturas financeiras usadas por investigado
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Por Cleber Lourenço

 

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (18) uma série de requerimentos que ampliam o alcance das investigações sobre a atuação de organizações criminosas no sistema financeiro. As medidas, apresentadas pelo relator senador Alessandro Vieira (MDB-SE), incluem convocações estratégicas e a requisição de dados detalhados sobre fundos de investimento ligados ao Banco Master e à Reag Investimentos.

Entre os principais alvos está Martha Graeff, ex-noiva do empresário Daniel Vorcaro, que foi convocada como testemunha. A avaliação dentro da comissão é que ela pode fornecer informações relevantes sobre o funcionamento interno das articulações do banqueiro.

Material apreendido pela Polícia Federal indica que Vorcaro relatava a Graeff encontros, viagens e tratativas com autoridades dos Três Poderes. Esses registros incluem menções a contatos com integrantes do alto escalão político e do Judiciário.

Na justificativa do requerimento, o relator sustenta que a convocação pode ajudar a esclarecer elementos centrais da investigação. Segundo ele, Graeff pode “iluminar aspectos que nenhum outro depoente reuniria condições de detalhar: os objetivos que Vorcaro perseguia, as expectativas que expressou e as conclusões que tirou das reuniões”.

A CPI também aprovou a convocação de João Pires, atual secretário de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro. A oitiva deve focar na atuação do setor de combustíveis, considerado por investigadores como um dos principais canais de geração de receita e lavagem de dinheiro por organizações criminosas.

De acordo com o relator, a experiência de Pires no enfrentamento de irregularidades nesse mercado pode contribuir para identificar padrões de infiltração do crime organizado na economia formal. “Seu testemunho não apenas fornecerá a esta Casa um diagnóstico técnico e prático sobre as táticas de infiltração do crime na economia formal, mas também subsidiará o Parlamento na formulação de políticas públicas mais rígidas”, justifica.

No eixo financeiro, a CPI avançou sobre um ponto considerado sensível da investigação. Foram aprovados pedidos de informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central e à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA).

Os requerimentos solicitam a listagem completa de fundos exclusivos ou restritos vinculados ao Banco Master, à Reag Investimentos ou a empresas relacionadas, no período entre janeiro de 2022 e a atualidade. Também foi requisitada a identificação dos beneficiários finais desses fundos.

A linha de investigação parte da suspeita de que estruturas desse tipo possam ter sido utilizadas para ocultação de patrimônio, uso de interpostas pessoas e movimentações financeiras associadas às práticas sob apuração.

No documento, o relator afirma que o mapeamento dos verdadeiros titulares dos recursos é essencial para revelar a rede de relações financeiras dos investigados. “O mapeamento exaustivo dos verdadeiros donos do capital alocado nos fundos administrados, geridos ou de alguma forma vinculados ao Banco Master e à Reag Investimentos permitirá a esta Comissão desvendar a rede de relacionamentos financeiros dos investigados, identificar o eventual proveito econômico decorrente das práticas investigadas e adotar as medida legais cabíveis, confrontando os dados fornecidos pela CVM com os elementos probatórios já colhidos”, alega.

A CPI busca, com isso, identificar eventuais ganhos econômicos derivados das práticas investigadas e responsabilizar agentes públicos e privados que tenham participado ou se beneficiado dessas operações.

A ofensiva marca uma mudança de abordagem da comissão, que passa a concentrar esforços no rastreamento de fluxos financeiros e na identificação de estruturas sofisticadas de lavagem de dinheiro. A avaliação entre parlamentares é que o avanço das investigações depende do acesso a dados detalhados e da análise técnica das operações financeiras sob suspeita.

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