Aos olhos menos desavisados, o saldo da balança comercial de 2025 pode soar controverso. Impactada pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a balança comercial brasileira encerrou 2025 com superávit de US$ 68,3 bilhões, o menor montante em três anos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No ano passado, o saldo apresentou queda de 7,9% em relação a 2024, quando o superávit havia alcançado US$ 74,2 bilhões.
Por outro lado, o superávit divulgado hoje foi o terceiro maior comercial anual desde o início da série história, em 1989. Os maiores foram o de 2023, quando o superávit chegou a US$ 98,903 bilhões, e o de 2024, quando o resultado positivo ficou em US$ 74,177 bilhões.
O superávit ocorre quando as exportações superam as importações; quando acontece o contrário, o resultado é deficitário.
Apesar do tarifaço, o Brasil conseguiu diversificar os parceiros comerciais, minorando os impactos do tarifaço de Trump.
Tanto as exportações como as importações bateram recorde. Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos e com a queda no preço das commodities, principalmente do petróleo, as vendas para o exterior somaram US$ 348,676 bilhões, com alta de 3,5% em relação a 2024.
Outro aspecto é que, com o crescimento da economia brasileira, houve aumento das importações, basicamente compra de insumos usados na produção nacional.
Fatores que explicam a retração
- Restrição às exportações brasileiras para os Estados Unidos em função do tarifaço norte-americano.
- Aumento das importações, associado à continuidade do crescimento da economia brasileira, segundo analistas.
- A combinação desses fatores reduziu a margem positiva do comércio exterior, mesmo com recordes históricos em valores absolutos.
Resultados consolidados de 2025
Exportações:
- US$ 348,7 bilhões
- Alta de 3,9% pela média diária em relação a 2024
- Recorde histórico anual, apesar das barreiras tarifárias
Importações:
- US$ 280,4 bilhões
- Crescimento de 7,1% pela média por dia útil
- Maior volume da história, segundo o governo
Impacto do tarifaço dos Estados Unidos
- As exportações brasileiras para os EUA recuaram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, queda de 6,6% (US$ 2,65 bilhões).
- O déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos atingiu US$ 7,53 bilhões, aumento de quase 2.900% frente a 2024 (US$ 253 milhões).
- O Brasil acumula déficits comerciais consecutivos com os EUA desde 2009.
- O saldo negativo de 2025 foi o pior desde 2022.
Cronologia do tarifaço
Abril: início das tarifas para diversos países, com sobretaxas maiores para produtos como aço e alumínio.
Agosto: anúncio de uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil, acompanhada de uma lista com mais de 700 exceções, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes.
Novembro: após avanço nas negociações entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, os EUA retiraram do tarifaço produtos como carne bovina, café, açaí e cacau. Ainda assim, parte das exportações brasileiras segue sujeita a tarifas.
Diversificação de mercados ameniza perdas
O desempenho da balança comercial não foi mais negativo devido ao crescimento das exportações para outros mercados, que compensou parcialmente a retração nos EUA.
Principais destaques em 2025:
- China: +6%
- Mercosul: +26,6% (com destaque para a Argentina)
- Europa: +6,2%
“Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos. O resultado reflete também o conjunto de programas e ações do governo do presidente Lula para aumentar a produtividade e a competitividade de nossas empresas no exterior”, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin.