Bets gastam R$ 422 milhões em mídia exterior em SP enquanto Prefeitura prepara veto

Setor de apostas chega à sexta posição entre 184 categorias de anunciantes na cidade, à frente de telecomunicações e bebidas alcoólicas
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Empresas de apostas esportivas e jogos online, as bets, investiram R$ 422 milhões em publicidade OOH na cidade de São Paulo entre janeiro de 2025, quando entrou em vigor a regulamentação federal do setor, e junho de 2026, segundo o Monitor Evolution, plataforma de inteligência publicitária da Kantar Ibope Media. A sigla OOH vem do inglês “out of home”, ou “fora de casa”, e se refere a formatos publicitários veiculados em espaços públicos e de circulação, como outdoors, painéis digitais, mobiliário urbano, pontos de ônibus, elevadores e meios de transporte.

Esse volume coloca as bets na sexta posição entre 184 categorias de anunciantes em mídia exterior na capital paulista, na frente de segmentos como telecomunicações, cartões e meios de pagamento, bebidas alcoólicas e grandes redes de varejo.

O investimento ocorre justamente enquanto tramitam na Câmara Municipal de São Paulo propostas para proibir esse tipo de anúncio em espaços públicos da cidade. O Executivo municipal prepara um substitutivo que reúne os projetos de lei 553/2025, 560/2025 e 564/2025 e que veta publicidade de bets em arenas esportivas, ônibus, pontos de parada, telas de elevadores, metrô, rodoviárias e relógios digitais de rua.

apostas online, senado, bets
O valor de R$ 422 milhões coloca as bets na sexta posição entre 184 categorias de anunciantes em mídia exterior na capital paulista (Foto: Bruno Peres / Agência Brasil)

O texto prevê multa de R$ 50 mil por infração e, em caso de reincidência, suspensão da licença por até 30 dias e proibição de realizar eventos esportivos no município por até dois anos. Os recursos arrecadados seriam destinados à prevenção à ludopatia e ao fomento do esporte educativo. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) já afirmou que vai sancionar a lei assim que for aprovada pelos vereadores. O Rio de Janeiro já proibiu esse tipo de publicidade em 13 de julho, por decreto do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD).

Para a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), restrições à publicidade podem reduzir investimentos em um mercado já regulado e afetar toda uma cadeia que envolve concessionárias de mobiliário urbano, empresas de mídia, produtoras, agências e prestadores de serviço. A entidade defende que a publicidade de operadores autorizados ajuda o consumidor a identificar quais plataformas são licenciadas pelo Ministério da Fazenda.

O tamanho das perdas das famílias

Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), mostra que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para plataformas de apostas esportivas em 2025. No mesmo período, essas empresas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix.

Os R$ 62,5 bilhões correspondem ao valor líquido da transação, ou seja, à diferença entre o total apostado pelos usuários e o montante devolvido pelas empresas em forma de prêmios. Segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, esse valor equivale a cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias, um indício de que o avanço das plataformas de apostas já produz efeitos mensuráveis sobre as finanças dos domicílios brasileiros.

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.