Bolsas mundiais operam em alta, mas acumulam perdas semanais em meio a temor fiscal nos EUA

Wall Street caminha para pior semana em mais de um mês após rebaixamento da nota de crédito americana; no Brasil, governo recua sobre alta do IOF
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As bolsas mundiais começam a sexta-feira (23) em trajetória positiva. Porém, os índices futuros dos EUA caminham para encerrar a semana com perdas acumuladas — reflexo da crescente preocupação dos investidores com a saúde fiscal dos Estados Unidos.

A tensão nos mercados ganhou força após a agência de classificação de risco Moody’s rebaixar, na semana passada, a nota de crédito soberano do país de Aaa para Aa1.

A decisão foi justificada pelo aumento do déficit público e pelos custos crescentes para rolar a dívida norte-americana, o que reacendeu temores sobre a sustentabilidade das contas públicas da maior economia do mundo. Em resposta, os principais índices de Wall Street apresentam queda acumulada: até o fechamento de quinta-feira, o S&P 500 recuava cerca de 2%, o Dow Jones, 1,9%, e o Nasdaq, 1,5%.

No Brasil, o destaque fica por conta do recuo do governo brasileiro quanto à proposta de elevar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em remessas ao exterior feitas por fundos de investimento e pessoas físicas. A medida havia sido anunciada na véspera como parte dos esforços para fortalecer o arcabouço fiscal, mas foi rapidamente retirada após forte reação negativa do mercado e de setores econômicos.

Com a agenda de indicadores esvaziada no Brasil, os agentes financeiros voltam suas atenções para os dados de novas moradias nos Estados Unidos, que serão divulgados às 11h (horário de Brasília), e podem oferecer novos sinais sobre a dinâmica da economia americana.

Brasil

Ibovespa encerrou a quinta-feira (22) com queda de 0,44%, aos 137.272 pontos. O dólar comercial chegou a baixar 0,80%, mas virou para alta, com 0,32% a R$ 5,661. E os DIs (juros futuros) desceram por toda a curva.

Entre os pesos-pesados do indicador, Vale (−0,75%) e Petrobras (−1,32%) fecharam em queda, acompanhando a volatilidade do minério de ferro e a nova baixa do petróleo, respectivamente. Os bancos também tiveram queda generalizada.

No destaque do dia, os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) detalharam um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no Orçamento de 2025 para cumprir o novo arcabouço fiscal (conjunto de regras que limitam o aumento de despesas).

Europa

As bolsas europeias sobem hoje, com investidores repercutindo os dados das vendas no varejo no Reino Unido, que aumentaram em cerca de 1,2% em abril na comparação mensal.

STOXX 600: +0,23%
DAX (Alemanha): +0,47%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,33%
CAC 40 (França): -0,07%
FTSE MIB (Itália): +0,02%

Estados Unidos

Os indicadores de Nova York avançam nesta manhã, mas caminham para fechar a semana em baixa diante da crescente preocupação dos investidores com o aumento da dívida e dos déficits dos EUA.

Dow Jones Futuro: +0,17%
S&P 500 Futuro: +0,20%
Nasdaq Futuro: +0,17%

Ásia

As bolsas asiáticas fecharam mistas, com os investidores repercutindo uma série de indicadores econômicos da região.

No Japão, a inflação acelerou para 3,5% em abril, segundo dados divulgados pelo governo nesta sexta-feira. O avanço foi impulsionado, em parte, pela alta nos preços do arroz. O resultado ocorre enquanto o Banco Central do Japão avalia uma possível pausa no ciclo de alta de juros, à espera de mais clareza sobre os efeitos das tarifas impostas pelos EUA.

Shanghai SE (China), -0,94%
Nikkei (Japão): +0,47%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,24%
Kospi (Coreia do Sul): -0,06%
ASX 200 (Austrália): +0,15%

Petróleo

Os preços do petróleo operam em baixa, pressionados pelo fortalecimento do dólar e pela possibilidade de a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) aumentar ainda mais sua produção de petróleo bruto.

Petróleo WTI, -0,72%, a US$ 60,76 o barril
Petróleo Brent, -0,68%, a US$ 64 o barril

Agenda

Nos Estados Unidos, saem os dados de novas moradias de abril.

Por aqui, no Brasil, o governo Lula revogou parte do decreto que previa aumento do IOF, após forte repercussão. A medida retirou a cobrança sobre remessas de fundos de investimento ao exterior, que passariam de isentas para 3,5%. Também esclareceu que remessas de pessoas físicas para investimentos no exterior continuarão com a alíquota atual de 1,1%, sem mudanças.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

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