Caso Master: Campos Neto é alvo de denúncia de Lindbergh por ignorar alertas da PF, do FGC e da Febraban

Parlamentar questiona blindagem ao ex-presidente do Banco Central
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A jornalista Manuela Borges comentou, durante participação no ICL Notícias 1ª edição desta terça-feira (24), as movimentações do deputado federal Lindbergh Farias (PT), que acionou a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República (PGR) para pedir a ampliação das investigações sobre a conduta do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no caso do Banco Master.

Segundo o parlamentar, um novo elemento reforça a necessidade de aprofundamento das apurações: a revelação de que a Polícia Federal teria enviado, em julho de 2024, um ofício ao Banco Central com alertas sobre possíveis irregularidades envolvendo a instituição financeira.

O parlamentar menciona ainda mensagens do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) que, segundo ele, indicavam preocupação com a emissão de CDBs classificados como de maior risco e com possíveis efeitos sobre a estabilidade do sistema financeiro nacional.

Apesar do alerta, o Banco Central teria entendido que não havia necessidade de abertura de procedimento específico naquele momento, o que, segundo Lindbergh, levanta dúvidas sobre a atuação da antiga cúpula da autoridade monetária.

Desde 1º de julho de 2025, Campos Neto assumiu como vice-chairman (vice-presidente do conselho) e chefe global de políticas públicas do Nubank. Ele se reporta diretamente ao CEO David Vélez.

A Rede Globo, por meio de sua gestora de venture capital, a Globo Ventures, tem participação no Nubank desde 2023. A participação foi adquirida em um modelo de “media for equity”, pelo qual a emissora troca espaço publicitário na TV e plataformas digitais por fatias no capital das empresas. Essa relação é um elemento adicional no debate sobre possíveis conflitos de interesse.

Lindbergh solicita que a Polícia Federal apure eventuais irregularidades nas esferas penal, administrativa e funcional, além de investigar reuniões e trocas de comunicação entre representantes do setor bancário e a presidência do Banco Central no período citado.

Alerta da PF e atuação do Banco Central

Durante o ICL Notícias 1ª edição, Manuela Borges destacou que a informação de que a PF teria formalizado um alerta ao Banco Central é um ponto central da nova fase das discussões sobre o caso.

“O que me impressiona nesse processo todo é essa blindagem absurda a Roberto Campos Neto”, disse.

Ela acrescenta ainda que novos elementos tornam a situação “cada vez mais crítica e complexa”, ao mencionar a existência de comunicações formais de órgãos de controle que, segundo ela, não teriam sido devidamente consideradas.

Na análise apresentada no programa, foram citadas medidas adotadas durante a gestão de Campos Neto que, segundo os debatedores, teriam flexibilizado regras do sistema financeiro e impactado diretamente instituições como o Banco Master, que está no centro de um dos maiores escândalos financeiros do país, incluindo o envolvimento de políticos majoritariamente do Centrão e da direita do país.

Entre os pontos mencionados estão alterações que permitiriam maior flexibilidade na comercialização de títulos, além da possibilidade de reclassificação de ativos e inclusão de instrumentos de maior risco em balanços financeiros.

Para Manuela Borges, o conjunto de elementos “reforça a necessidade de investigação aprofundada sobre possível omissão ou falhas regulatórias”.

CPI, investigações e repercussões políticas

O tema também repercutiu no Congresso Nacional, com a tentativa de convocação de Campos Neto para prestar depoimento em comissões parlamentares de inquérito. O ex-presidente do Banco Central não compareceu após decisão judicial que o liberou da oitiva.

Além disso, parlamentares defendem a continuidade das investigações, incluindo a análise de possíveis responsabilidades administrativas e políticas na condução do caso.

Manuela também destacou que o caso deve seguir no centro do debate político nas próximas semanas, especialmente diante da ampliação das frentes de investigação no Congresso e da pressão por esclarecimentos sobre a atuação o Banco Central.

Veja o comentário de Manuela Borges no vídeo abaixo:

 

Alertas formais foram enviados e, ainda assim, não geraram ação imediata. O que explica esse intervalo entre aviso e decisão dentro do órgão responsável por regular o sistema? O documentário do ICL recompõe essa cronologia e mostra onde esses sinais foram absorvidos ou ignorados. Exibição gratuita em 31 de março, terça-feira, às 20h, com vagas limitadas. Garanta sua vaga!

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