China apoia Brasil contra tarifaço de Trump e critica intimidação comercial dos EUA

Em conversa com Celso Amorim, chanceler chinês reforça apoio ao Brasil e condena uso político de tarifas por parte de Washington
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Maior parceiro comercial do Brasil, a China voltou a se posicionar contra o pacote tarifário imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em conversa telefônica com Celso Amorim, assessor especial da Presidência brasileira, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, manifestou apoio direto ao Brasil e condenou o que classificou como “comportamento de intimidação” por parte dos norte-americanos. As informações foram publicadas pela agência de notícias chinesa Xinhua.

Wang afirmou que a China apoia o Brasil na defesa de seus direitos comerciais e ressaltou que o país asiático se opõe à “interferência externa irracional” nos assuntos internos brasileiros — referência implícita à retórica adotada pelo presidente Donald Trump, que usou o julgamento de Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) como justificativa política para a medida tarifária.

“Sob a orientação estratégica do presidente chinês Xi Jinping e do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, China e Brasil têm trabalhado juntos para promover a construção de uma comunidade com futuro compartilhado, em prol de um mundo mais justo e um planeta mais sustentável”, disse Wang.

O chanceler da China destacou que isso reflete “a visão comum e o senso de responsabilidade dos dois principais países em desenvolvimento na promoção de um mundo multipolar, na defesa das regras e da ordem internacional, e na proteção da equidade e da justiça globais”.

Ainda conforme a Xinhua, Amorim afirmou que o Brasil está disposto a aprofundar a cooperação com a China nas áreas de comércio, finanças, entre outras, e está pronto para trabalhar com o país no aperfeiçoamento e avanço do mecanismo do Brics (grupo que reúne originalmente Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), no fortalecimento da solidariedade e da autossuficiência entre os países do Sul Global, e na defesa da equidade e da justiça internacional.

Motivações políticas e impacto diplomático

As tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, que entraram em vigor nesta quarta-feira (6), atingem cerca de 36% das exportações brasileiras ao país, com alíquota de 50% para produtos como carne, frutas e café. O Brasil foi o mais afetado pelo tarifaço anunciado por Trump em julho, o que gerou reações diplomáticas ao redor do mundo.

A justificativa do republicano teve forte conotação política: ele classificou a investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como “caça às bruxas” e pediu sua interrupção “imediata”. A prisão domiciliar do ex-presidente, decretada nesta semana por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), acentuou o embate político que permeia o conflito comercial.

China x EUA: histórico de atritos tarifários

O apoio chinês ao Brasil também é reflexo de sua própria experiência recente com tarifas norte-americanas. No início de 2025, Trump aumentou tributos sobre produtos de diversos países, incluindo uma taxa de 34% para produtos chineses. Diferentemente de outras nações que optaram por negociação, Pequim respondeu com medidas de retaliação imediata.

A disputa escalou rapidamente para uma guerra tarifária: produtos chineses enfrentaram tarifas de até 145% nos EUA, enquanto produtos norte-americanos passaram a ser taxados em até 125% na China. O impasse só foi contornado meses depois, com negociações que reduziram os impostos para patamares ainda elevados, mas mais sustentáveis: 30% e 10%, respectivamente.

Implicações geopolíticas

O posicionamento chinês fortalece o discurso brasileiro em fóruns multilaterais e adiciona uma camada geopolítica relevante à crise tarifária com os EUA. Em um momento em que Pequim tenta fortalecer sua influência no Sul Global, a aproximação com o Brasil — parceiro estratégico no Brics — pode indicar uma tentativa de contrabalançar o peso dos EUA em decisões comerciais internacionais.

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