Pressionado pelos dados macroeconômicos que já mostram impactos da guerra comercial sobre a economia norte-americano, o governo do presidente Donald Trump procurou China e México para negociar as sobretaxas impostas pelos EUA sobre os dois parceiros comerciais.
Na quinta-feira (1º), o jornal estatal chinês Yuyuan Tantian publicou, na rede social Weibo, que o Ministério do Comércio da China declarou que está avaliando uma proposta dos Estados Unidos para iniciar conversas sobre a guerra comercial. Porém, impôs condições.
“Recentemente, os EUA tomaram a iniciativa de transmitir informações à China por meio de canais apropriados, expressando o desejo de iniciar conversas”, afirmou o ministério. “A China está atualmente avaliando essa proposta.”
O governo chinês, contudo, afirmou que os EUA precisam “demonstrar sinceridade” se quiserem negociar. Para isso, os norte-americanos devem estar dispostos a “corrigir suas práticas equivocadas e cancelar as tarifas unilaterais”, acrescentou.
Apesar da confirmação da China, desta vez o governo norte-americano não fez nenhum comunicado oficial nesse sentido.
A informação acontece depois de o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos ter recuado 0,3% no primeiro trimestre, em relação aos três meses anteriores. Os dados, divulgados na quarta-feira (30) pelo Escritório de Análise Econômica (BEA), já mostram os primeiros efeitos do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump contra alguns dos principais parceiros comerciais dos EUA.
Tudo isso aconteceu porque, para driblar o início da entrada em vigor das sobretaxas a produtos importados, principalmente da China, aumentaram as importações de empresas estadunidenses, com reflexos na balança comercial do país.
Nesta semana, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que cabia a Pequim dar o primeiro passo para reduzir a tensão. Anteontem, Trump disse, durante uma reunião de gabinete, estar “descontente” com a acentuada redução no comércio entre os dois países porque queria que “a China se saísse bem”, mas tratando os EUA de forma justa.
Além da China, México também dá sinais de negociação
Outro sinal veio do México. Em postagem no seu perfil oficial na rede X (antigo Twitter), a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, revelou que conversou ao telefone com Trump. Segundo ela, foi o americano quem telefonou.
“Tive uma conversa muito positiva com o presidente Trump; Concordamos que os Secretários da Fazenda e do Tesouro, bem como da Economia e do Comércio, continuarão trabalhando nos próximos dias em alternativas para melhorar nossa balança comercial e avançar em questões pendentes em benefício de ambos os países”, escreveu a presidente.

Na terça-feira (29), já havia ocorrido um recuo oficial. Trump assinou uma ordem executiva atenuando os efeitos das sobretaxas sobre a importação de automóveis, cedendo após semanas de intensa pressão de montadoras, fornecedores de autopeças e concessionárias, que alertaram que tarifas excessivas poderiam elevar os preços dos carros nos EUA, provocar o fechamento de fábricas e provocando desemprego.
Seguro-desemprego
O Departamento de Trabalho informou que os pedidos de seguro-desemprego nos EUA aumentaram durante a semana após a Páscoa.
Foram 18 mil pedidos a mais, chegando a 241 mil na semana encerrada em 26 de abril, acima do esperado, segundo pesquisa de projeções da agência Bloomberg, que apontava para 223 mil solicitações. O total de pedidos semanais é o maior desde fevereiro.
Nesta sexta-feira, será divulgado o payroll, principal relatório do mercado de trabalho estadunidense e um importante termômetro da economia.
Além do PIB e dos pedidos de seguro-desemprego, o índice do setor industrial do Instituto de Gestão de Suprimentos (ISM, na sigla em inglês) caiu 0,3 ponto, chegando a 48,7. O subíndice de produção da entidade recuou mais de 4 pontos, para 44. Leituras abaixo de 50 indicam contração.
O setor corporativo também já dá sinais de que, ao contrário da tentativa de Trump de mostrar otimismo com sua política tarifária que vem bagunçando os mercados financeiros globais, o futuro é bastante incerto.
General Motos e Amazon já divulgaram prognósticos mais pessimistas para seus negócios neste ano.
Em outra frente, empresas de tecnologia como Meta (dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp) e Microsoft divulgaram seus balanços na quarta-feira (30), após o fechamento das bolsas, com dados positivos que impulsionaram os índices de ações na quinta-feira nos EUA, onde não foi feriado. Lá, o Dia do Trabalhador é comemorado em setembro.