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O governo federal anunciou novas medidas dentro do Novo Desenrola Brasil, com foco na ampliação do acesso ao crédito e na renegociação de dívidas de micro e pequenas empresas. A iniciativa inclui mudanças relevantes em linhas já existentes, com aumento de prazos, carência e limites de financiamento.

No caso das microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, as alterações no ProCred ampliam a carência de 12 para 24 meses e estendem o prazo total das operações de 72 para 96 meses. A tolerância para atraso, antes limitada a 14 dias, passa a ser de até 90 dias, facilitando o acesso a novos empréstimos.

Além disso, o valor máximo de crédito sobe de 30% para 50% do faturamento anual, com teto ampliado para R$ 180 mil. Para empresas lideradas por mulheres, esse limite pode chegar a 60% do faturamento, mantendo o mesmo teto.

Para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões anuais, as mudanças no Pronampe seguem a mesma direção: carência de até 24 meses, prazo total de até 96 meses, maior tolerância a atrasos e elevação do limite de crédito, que passa de R$ 250 mil para R$ 500 mil.

Estratégia para reduzir a inadimplência

A nova fase do Desenrola busca ampliar a renegociação de dívidas não apenas para empresas, mas também para pessoas físicas e estudantes. O programa prevê descontos relevantes, especialmente em contratos estudantis, e permite o uso de recursos como saldo do FGTS e valores esquecidos para facilitar a quitação de débitos.

Segundo o governo, o objetivo é reduzir a inadimplência, aliviar o orçamento de famílias e empresas, e restabelecer o acesso ao crédito em condições mais sustentáveis.

Inadimplência recorde e crédito restrito

As medidas são anunciadas em um momento de deterioração das condições financeiras para empresas no país. Apesar do desempenho positivo do mercado acionário — com o Ibovespa acumulando forte alta no último ano — o ambiente fora da bolsa é mais desafiador.

Dados recentes indicam que cerca de 8,9 milhões de empresas estão inadimplentes, somando aproximadamente R$ 213 bilhões em dívidas atrasadas. A maior parte desse contingente é composta por pequenos negócios, que enfrentam maior dificuldade de acesso ao crédito.

O cenário é influenciado por juros elevados e condições mais restritivas de financiamento. Após um período de forte expansão do crédito durante a pandemia, muitas empresas agora enfrentam dificuldades para rolar suas dívidas em um ambiente de taxas mais altas.

Risco de efeito em cadeia

O aumento do endividamento tem levado empresas de diferentes portes a buscar reestruturação financeira, incluindo pedidos extrajudiciais e recuperação judicial. Especialistas avaliam que o movimento reflete uma combinação de custos elevados, crescimento econômico moderado e restrição no crédito.

Embora o problema ainda seja visto como localizado, há preocupação com possíveis efeitos mais amplos. Empresas sob pressão tendem a reduzir investimentos, atrasar pagamentos e enxugar operações, o que pode impactar cadeias produtivas e o nível de atividade econômica.

Juros elevados limitam alívio no curto prazo

Apesar de cortes recentes na taxa básica de juros (Selic), o nível ainda elevado (14,5% ao ano) é apontado como insuficiente para reverter rapidamente o quadro de inadimplência. A expectativa de manutenção de juros altos por um período prolongado reforça o desafio para empresas altamente endividadas.

Nesse contexto, as mudanças no Desenrola são vistas como uma tentativa de mitigar os efeitos do aperto financeiro, oferecendo condições mais flexíveis para renegociação e acesso ao crédito. Ainda assim, analistas apontam que o impacto dependerá da evolução das condições macroeconômicas e da capacidade de recuperação das empresas.

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