Patrimônio de Jorginho Mello, governador de SC, salta 155% em 12 anos com holding familiar

Sociedade com filhos, apartamentos em cidade com metro quadrado mais caro do Brasil e terreno em loteamento deserto fazem parte da declaração do governador de SC ao TSE
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O patrimônio do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), cresceu 154% em 12 anos, impulsionado por uma holding familiar em que mantém sociedade com os filhos Filipe e Bruno Mello, duas peças influentes no seu governo. O governador declarou ter R$ 2.818.036,89 em bens ao Tribunal Superior Eleitoral.

Em 2014, quando se candidatou a deputado federal, ele apresentou R$ 1.105.924,22, com apenas R$ 8 mil na empresa JSM Participações Societárias, valor que hoje está em R$ 1.688.000. A holding familiar que leva as iniciais do nome do governador foi criada em 2010 e hoje representa a principal fatia do patrimônio de Jorginho. Entre 2022 e 2026, a soma de todos os bens do governador cresceu em 16,7%.

Tanto Filipe Mello, que é advogado, quanto Bruno Mello, que é dentista, são lideranças influentes na vida política do pai. Filipe só não foi nomeado secretário da Casa Civil porque a Justiça não permitiu. Já Bruno é vice-presidente do PL em Santa Catarina. Ambos mantêm sociedades paralelas além da holding familiar. Uma das empresas de Bruno, a Be Dental School, oferece cursos junto à Universidade do Vale do Itajaí (Univali), uma das principais beneficiadas do programa Universidade Gratuita, que transfere recursos públicos dos cofres da educação para instituições particulares de ensino superior.

O governador também mantém em seu patrimônio dois imóveis e um terreno declarados em todos os últimos pleitos. Os apartamentos ficam na cidade de Itapema, a cidade com o metro quadrado mais caro do Brasil. A declaração tem como base o valor de compra, de R$ 380.000 para dois apartamentos, mas o boom imobiliário na região indica uma ampla valorização.

Já o terreno é alvo de uma polêmica histórica na região Sul do Estado, nos municípios de Araranguá e Balneário Arroio do Silva. Em 1986, Jorginho adquiriu um terreno em um loteamento próximo do mar, o Arpoador, quando ainda pertencia à Araranguá. As melhorias de infra-estrutura prometidas pela construtora nunca aconteceram e atravessaram o processo de emancipação do balneário.

Esse imbróglio resultou, quase 40 anos depois, em uma associação que busca reparações na justiça. No patrimônio do governador, o terreno consta com o valor de R$ 828,68, inalterado ao longo dos anos, como ocorre na declaração dos apartamentos. Hoje, no entanto, há imobiliárias oferecendo lotes na localidade, praticamente inabitada, por R$ 70 mil.

Em março deste ano, o então prefeito do município, Evandro Scaini, confirmou no Instagram obras em convênio com o governo do Estado na região, no valor de R$ 4 milhões, com R$ 450 mil de contrapartida municipal. O investimento é em pavimentação, em uma avenida de acesso ao loteamento.

A imprensa catarinense divulgou as obras como investimento em “locais considerados pouco explorados do litoral catarinense” e “procurados por surfistas da região durante a alta temporada”. Procurada, a prefeitura não confirmou se sabia que o governador era proprietário de um terreno na região.

O ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), candidato a vice-governador, declarou R$ 21.727.645,69 em bens, valor quase oito vezes maior do que o declarado por Jorginho. Adriano indicou ao TSE a posse de casas, terrenos, cotas em participações, além de investimentos e aplicações e de uma embarcação. O valor é 33,5% maior do que o declarado em 2024.

Até o momento, Jorginho Mello é o único dos candidatos ao governo de Santa Catarina com a candidatura registrada na plataforma de divulgação do TSE. Além dele, concorrem ao pleito Brunno Dias (PCO), Gelson Merísio (PSB), João Rodrigues (PSD), Laís Chaud (Unidade Popular), Marcelo Brigadeiro (Missão), Marcus Sodré (PSTU) e Ralf Zimmer (PRD).

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