Nesta segunda-feira (23), o economista e fundador da ICL, Eduardo Moreira, publicou um vídeo impactante denunciando o sistema de juros do Brasil. A taxa chegou ao patamar alarmante de 15% ao ano — e isso, segundo ele, não é apenas um número: é um sintoma de um modelo econômico que favorece os mais ricos, penaliza o país e aprisiona o governo.
Eduardo inicia explicando a lógica cruel dessa taxa: com 15% ao ano, um investidor dobra o capital em cinco anos sem correr riscos, sem empregar ninguém e sem mover um dedo. Em 20 anos, esse dinheiro se multiplica por 16 vezes.
Ou seja: com esse tipo de incentivo, por que alguém abriria um negócio ou geraria empregos? É muito mais “inteligente”, do ponto de vista financeiro, simplesmente viver de renda.
“Você acha que vão abrir um negócio, contratar gente, desenvolver uma nova ideia, correr risco? Não. Vão botar o dinheiro no banco e viver de renda.”
A matemática dos juros: quem paga?
Toda essa remuneração para quem aplica dinheiro vem de um lugar: da dívida pública brasileira. Hoje, cerca de metade do orçamento do governo federal vai para pagamento de juros e amortizações da dívida. Resultado? Faltam recursos para saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento.
Moreira denuncia o absurdo de um país com PIB trilionário que briga para aprovar “R$ 1 bilhão aqui, 2 bilhões ali”, enquanto trilhões são canalizados para pagar juros a quem já tem.
Eduardo não poupa o Banco Central. Para ele:
- As equações que o BC usa para prever inflação estão desatualizadas e erram consistentemente.
- O Boletim Focus é manipulado pelo mercado financeiro com apoio da grande mídia — e nada é feito para mudar isso.
- A política de juros altos virou uma resposta automática a qualquer variação econômica: subiu inflação? Sobe juros. Dólar oscilou? Sobe juros. Economia começa a esboçar reação? Sobe juros de novo.
Mas o problema, segundo ele, não é apenas quem ocupa a cadeira do BC — é a lógica econômica que aprisiona qualquer gestor ao mesmo receituário.
“Pode botar quem quiser no Banco Central. Sem mudar a lógica econômica, vai dar no mesmo: juros vão subir.”
A proposta ousada: estatizar o sistema financeiro
Eduardo Moreira vai além: propõe que o sistema financeiro seja estatizado. Segundo ele, R$ 7,3 trilhões dos brasileiros estão hoje sob controle de bancos privados, que decidem para onde esse dinheiro vai — e não é para a agricultura familiar ou microcrédito.
Ele defende que esse capital gigantesco poderia ser usado de forma estratégica para desenvolver o país — mas hoje é usado para gerar lucros privados, muitas vezes sem risco ou produção real.
“Quem tem mais poder? O governo ou os bancos que decidem o destino de trilhões?”.
No final do vídeo, Eduardo alerta para algo ainda mais profundo: a hegemonia do pensamento neoliberal no Brasil. Segundo ele, até mesmo os economistas de esquerda estão presos a esse modelo, muitas vezes inconscientemente.
- A inflação de 3% ao ano virou dogma.
- O superávit primário se tornou quase uma religião.
- Responsabilidade fiscal serve como desculpa para priorizar os banqueiros e cortar o que é essencial ao povo.
“Enquanto não mudarmos a lógica, vamos continuar enxugando gelo”, conclui Eduardo Moreira.
Assista ao vídeo completo: