Exportações de carne bovina do Brasil batem recorde em julho, mas efeito de tarifaço preocupa setor

Porém, com alta demanda da China e diversificação de mercados, setor mantém otimismo mesmo diante de tensões comerciais com Washington
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Antes da entrada em vigor das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, o Brasil registrou em julho recorde de exportação de carne bovina. Foram embarcadas 313.682 toneladas, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas) — um crescimento de 15,6% em relação a junho e de 17,2% na comparação anual. A receita foi de US$ 1,67 bilhão.

A China liderou com folga as compras, com 160,6 mil toneladas (51,2% do total), gerando US$ 881,9 milhões. Os Estados Unidos aparecem em segundo, com 18,2 mil toneladas e US$ 119,9 milhões, seguidos por México, Rússia e União Europeia.

A carne in natura representou 88,3% das exportações no mês, com 276,9 mil toneladas, enquanto os miúdos e industrializados responderam por 6,2% e 3,3%, respectivamente — ambos com crescimentos expressivos sobre junho.

Exportações de carne bovina no acumulado do ano

De janeiro a julho, o Brasil exportou 2 milhões de toneladas de carne bovina, somando US$ 8,9 bilhões em receitas, alta de 19% em volume e 30,2% em valor frente ao mesmo período de 2024. Os dados da Abiec apontam a China como principal destino, com 801,8 mil toneladas (44,9% do total) e US$ 4,1 bilhões, seguida por EUA (199,7 mil t; US$ 1,16 bi), Chile, México e Rússia.

O México teve destaque, saltando de 22 mil toneladas em 2024 para 67 mil toneladas em 2025, uma alta de 196%. A União Europeia (+109,7%), Canadá (+101,1%) e Angola (+49,3%) também registraram variações significativas.

Tarifa dos EUA ainda não impacta, mas tendência preocupa

Apesar do bom desempenho, as exportações para os EUA vêm caindo desde abril, quando atingiram um pico de US$ 306 milhões. Em julho, o valor caiu para US$ 183 milhões — ainda sem refletir plenamente o impacto do tarifaço de 50%, que começou a valer apenas em 6 de agosto. No entanto, uma sobretaxa de 10% já estava em vigor desde abril.

Os EUA são o segundo maior mercado para a carne brasileira, com 484 mil toneladas compradas entre janeiro e julho — cerca de 23,6% do total exportado no período.

China compensa perdas e mercados se diversificam

Enquanto os embarques para os EUA diminuem, a demanda chinesa segue em alta, com crescimento de 14% nas compras até julho, gerando receita de US$ 4,08 bilhões. O Chile manteve o terceiro lugar entre os principais destinos e também elevou as compras em 20%.

Segundo a Abiec, o Brasil vendeu carne bovina para cerca de 160 mercados em 2025, consolidando-se como maior exportador global. Além de mercados tradicionais, houve expansão relevante para regiões como Oriente Médio, Sudeste Asiático e Leste Europeu.

A entidade afirma que o desempenho recorde reflete a competitividade da carne brasileira e a capacidade de adaptação da cadeia produtiva às exigências e oportunidades do mercado global. Mesmo com o impacto tarifário dos EUA, o setor mantém expectativa positiva para o segundo semestre.

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