A Secretaria de Política Econômica (SPE), vinculada ao Ministério da Fazenda, anunciou nesta segunda-feira (19) uma revisão positiva em sua estimativa para o crescimento do PIB em 2025. A projeção subiu de 2,3% para 2,4%, mesmo diante de um cenário desafiador, com juros ainda elevados.
Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 14,75% ao ano — o maior nível em quase duas décadas. Apesar desse ambiente de restrição monetária, o governo vê espaço para um crescimento econômico mais robusto do que o inicialmente previsto.
De acordo com a SPE, a decisão de revisar a projeção de crescimento está relacionada principalmente ao desempenho acima do esperado da economia no primeiro trimestre e à perspectiva de aumento na produção agropecuária ao longo do ano.
O Ministério da Fazenda destacou que, após uma forte aceleração da atividade econômica no início do ano, a tendência é de que o ritmo desacelere e se aproxime da estabilidade no segundo semestre.
Projeção de crescimento do PIB representa desaceleração em relação a 2024
Apesar do otimismo, o crescimento de 2,4% projetado ainda representa uma desaceleração em relação a 2024, quando o PIB teve uma expansão de 3,4%. Ainda assim, a previsão oficial está acima da mediana das estimativas do mercado financeiro, que aponta uma alta de 2,02% para o ano.
O governo estima um avanço de 1,6% no PIB apenas no primeiro trimestre de 2025, impulsionado principalmente pelo desempenho expressivo do setor agropecuário.
Para 2026, a expectativa da equipe econômica é de um crescimento de 2,5%, mais uma vez acima da projeção dos analistas do mercado, que estimam 1,7% para o mesmo período.
Política monetária e inflação
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comentou nesta segunda que manter os juros em um patamar elevado por mais tempo pode ser necessário para conter as pressões inflacionárias. Segundo ele, essa abordagem “mais restritiva” ajuda a controlar os preços em um momento de incertezas econômicas.
Em relação à inflação, a projeção do governo para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025 foi ajustada de 4,9% para 5%. Isso significa que o indicador deve superar novamente o teto da meta de inflação, que atualmente é de 3%, com tolerância de até 4,5%, sob o novo regime de meta contínua iniciado em 2025.
A expectativa é que uma trajetória mais consistente de desaceleração da inflação só comece a ser percebida a partir de setembro.
Para 2026, a previsão do IPCA foi levemente ajustada de 3,5% para 3,6%, ainda dentro da banda de tolerância, mas acima do centro da meta.
A partir de 2027, o governo espera que a inflação converja gradualmente para os 3%, o objetivo central da política monetária.
O Ministério da Fazenda também comentou sobre fatores externos que podem influenciar a inflação. Segundo a análise, a imposição de tarifas comerciais por Estados Unidos e China pode, paradoxalmente, beneficiar economias da América Latina, ao ajudar a reduzir as pressões sobre os preços. Entre os fatores que podem contribuir para isso estão a produção excedente de bens na China, a queda nos preços das commodities e o enfraquecimento do dólar.