O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (6) em queda, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais diante da escalada de tensões no conflito envolvendo o Irã. As perdas, no entanto, foram parcialmente compensadas pela forte alta do petróleo e pela reação positiva a balanços corporativos.
O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,61%, aos 179.364,82 pontos, acumulando baixa de 5% na semana. No câmbio, o dólar comercial à vista fechou a R$ 5,2438, com queda de 0,82% no dia, mas ainda registra alta semanal de 2,14% frente ao real.
No cenário doméstico, indicadores econômicos tiveram impacto secundário. A produção industrial brasileira avançou 1,8% em janeiro na comparação mensal e 0,2% na base anual, desempenho acima das projeções de mercado.
Entre as ações, os papéis da Petrobras estiveram entre os destaques positivos. As ações PETR4 e PETR3 subiram cerca de 5%, impulsionadas pelo balanço do quarto trimestre, pelo anúncio de R$ 8,1 bilhões em dividendos e pela disparada do petróleo no mercado internacional.
O movimento também refletiu a alta de 8,52% do Brent, que encerrou o dia a US$ 92,69 o barril na Intercontinental Exchange. No pregão, PETR4 liderou o volume negociado da bolsa, com R$ 3,5 bilhões em giro financeiro, e levou a estatal a ultrapassar R$ 580 bilhões em valor de mercado pela primeira vez.
No campo corporativo, a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no quarto trimestre, revertendo o prejuízo registrado um ano antes, embora abaixo dos R$ 32,8 bilhões do terceiro trimestre. A administração também sinalizou a possibilidade de retomar dividendos extraordinários.
Outras petroleiras acompanharam a alta da commodity, com ganhos para Brava Energia e PRIO.
Na ponta negativa do índice, a maior queda ficou com VAMO3, da Vamos, que recuou 7,8% após o anúncio de um aumento de capital bilionário pela controladora Simpar, operação que também envolve a Movida e pode resultar em diluição para os atuais acionistas.
Mercado externo
Os índices de Wall Street caíram diante do aumento da aversão ao risco, pressionados pelo conflito no Irã e pela alta do petróleo. O payroll dos EUA mostrou corte de 92 mil vagas em fevereiro e alta do desemprego para 4,4%, pior que o esperado. Após os dados, investidores passaram a prever cortes de juros pelo Federal Reserve, o banco central estadunidense, já em julho. No campo geopolítico, o presidente Donald Trump exigiu a “rendição incondicional” do Irã após ataques coordenados com Israel.
Com isso, o Dow Jones caiu -1,61%, aos 47.954,74 pontos; o S&P 500, -0,56%, aos 6.830,71 pontos; e o Nasdaq, -0,26%, aos 22.748,98 pontos.