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Em meio a incertezas globais e clima de aversão ao risco, o Ibovespa chegou a cair com força ao longo do dia, mas conseguiu uma recuperação surpreendente na reta final. O índice encerrou com alta de 0,35%, aos 180.270 pontos, após ter tocado a mínima de 176 mil pontos.

O movimento de virada também apareceu no câmbio. O dólar, que operava em alta durante boa parte da sessão, mudou de direção e fechou em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,21. Já os juros futuros, que subiam diante do cenário de incerteza, inverteram o sinal e terminaram o dia em baixa ao longo de toda a curva.

O pano de fundo continua sendo a cautela. Na véspera, o Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano — um corte considerado tímido por parte do mercado e do setor produtivo.

Em comunicado, o Comitê de Política Monetária reforçou a necessidade de prudência diante do cenário internacional, especialmente por conta dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre inflação e atividade econômica.

A postura cautelosa não é exclusiva do Brasil. O Federal Reserve manteve os juros inalterados, assim como o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra. Já o Banco do Japão segue atento aos riscos inflacionários.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump voltou a criticar a condução da política monetária, ao mesmo tempo em que adota um discurso ambíguo sobre o conflito com o Irã, aumentando a volatilidade nos mercados.

A escalada das tensões no Oriente Médio continuou pressionando os preços do petróleo, que chegaram perto dos US$ 120 durante o dia. No entanto, uma declaração do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, indicando que a guerra pode terminar mais rápido do que o esperado, ajudou a aliviar parte das tensões.

Com isso, o petróleo recuou, e os mercados globais reduziram as perdas — movimento que abriu espaço para a recuperação do Ibovespa no fim do pregão.

Destaques do Ibovespa

Entre as ações, o dia foi de forte dispersão. A Vale caiu, acompanhando a baixa do minério de ferro. Já os bancos tiveram desempenho positivo e ajudaram a sustentar o índice no campo positivo.

A Petrobras, que chegou a subir com o petróleo em alta, virou para queda com a mudança no cenário externo.

No campo corporativo, algumas ações chamaram atenção pela volatilidade. A Hapvida conseguiu uma recuperação expressiva e fechou com forte alta, enquanto o Grupo Mateus registrou queda acentuada após resultados fracos.

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