Ibovespa salta com alívio externo e fluxo estrangeiro, mas encerra março em queda

No acumulado do primeiro trimestre, porém, o IBOV acumula alta expressiva de 16,35%
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O Ibovespa avançou 2,71% nesta terça-feira (31), aos 127.461 pontos, em movimento alinhado ao apetite global por risco diante de sinais de possível arrefecimento da guerra no Oriente Médio. Apesar do forte desempenho no dia, o índice encerrou março em queda de 0,70%, o primeiro mês negativo desde julho de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, porém, ainda registra alta expressiva de 16,35%.

O movimento foi sustentado principalmente por fatores externos. Declarações atribuídas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando disposição para encerrar a campanha militar contra o Irã, somadas a falas do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, sobre abertura para negociações, alimentaram a percepção de redução de risco geopolítico. Ainda que o cenário permaneça incerto — com ameaças, o Estreito de Ormuz fechado e o petróleo em patamar elevado —, a possibilidade de trégua foi suficiente para destravar o apetite por ativos.

No mercado de commodities, o petróleo seguiu volátil: o Brent voltou a se aproximar de US$ 120, enquanto o WTI recuou. Já o dólar caiu 1,31%, a R$ 5,179, influenciado também pela formação da PTAX, enquanto a curva de juros futuros (DIs) cedeu ao longo de todos os vencimentos.

Razões domésticas

No cenário doméstico, o fluxo estrangeiro positivo voltou a dar suporte ao mercado acionário, mesmo em meio à aversão a risco global recente. Ao mesmo tempo, o governo monitora os impactos da alta do petróleo sobre a inflação e estuda medidas para mitigar pressões, especialmente sobre combustíveis.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (31) que o governo federal está próximo de garantir a adesão da maioria dos estados a um acordo que prevê a concessão de subsídio para importadores de diesel.

Dados fiscais também entraram no radar: a dívida bruta avançou para 79,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em fevereiro, e o setor público registrou déficit primário no mês, embora mantenha superávit no acumulado do ano.

Em outra frente, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que 255.321 postos de trabalho com carteira assinada foram abertos em fevereiro. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões. O saldo é maior em relação a janeiro, quando o país criou 115.018 empregos.

Ações

Entre as ações, o movimento foi majoritariamente positivo. Apenas quatro papéis fecharam em queda, com destaque para petroleiras, pressionadas pela perspectiva de acomodação dos preços do petróleo em caso de trégua: Petrobras (PETR4 -2,01%; PETR3 -1,35%) e PRIO (PRIO3 -8,17%). MBRF (MBRF3) também recuou 3,09%.

Na ponta positiva, os ganhos foram disseminados. Vale (VALE3) subiu 3,75% após detalhar planos de expansão na produção de cobre. Natura (NATU3) disparou 12,99% com mudanças no conselho e a entrada da Advent.

Entre os bancos, o desempenho foi robusto: Banco do Brasil (BBAS3) avançou 2,68%, Bradesco (BBDC4) ganhou 3,79%, Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 4,52% e Santander (SANB11) teve alta de 3,79%. B3 (B3SA3) também se destacou, com valorização de 7,98%.

Mercado externo

Os indicadores de Wall Street reagiram positivamente às declarações de Donald Trump. Porém, encerraram o mês em queda. Na Europa, o dia também foi de alta.

O Dow Jones subiu 2,49% no dia, mas encerrou março com queda acumulada de 5,49%; o S&P 500 fechou com +2,91% e -5,28%, respectivamente; e o Nasdaq, +3,83% e -4,80%.

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