Ibovespa sobe com esperança de avanço nas negociações com o Irã, mas guerra e petróleo ainda preocupam mercados

O dólar comercial subiu 0,12%, fechando a R$ 5,24
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A semana começou com um clima mais positivo no mercado financeiro brasileiro. Após duas sessões seguidas de fortes perdas, o Ibovespa voltou a subir nesta segunda-feira (30) e encerrou o dia com alta de 0,53%, aos 182.514 pontos, recuperando parte do terreno perdido em meio às incertezas globais.

O movimento foi impulsionado por novas declarações da Casa Branca sobre possíveis avanços nas negociações com o Irã, o que trouxe um pouco de alívio aos investidores, mesmo com o conflito ainda longe de uma solução definitiva.

O otimismo veio após sinalizações do governo dos Estados Unidos de que existem conversas em andamento com o Irã, ainda que o tom público das declarações seja diferente do que ocorre nos bastidores. Ao mesmo tempo, o Irã classificou as propostas de paz como irreais e intensificou os ataques com mísseis, mantendo o cenário de tensão elevado.

Os Estados Unidos também voltaram a ameaçar atingir estruturas petrolíferas e a Ilha de Kharg caso o Irã não reabra o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo. Enquanto isso, o país persa continua exportando a commodity com preços mais altos, beneficiando-se do aumento das cotações.

No Brasil, o dólar comercial subiu 0,12%, fechando a R$ 5,24, enquanto os juros futuros (DIs) recuaram ao longo da curva, indicando expectativa de desaceleração econômica.

Combustíveis e inflação pressionam o bolso

A alta do petróleo já começa a impactar diretamente o consumidor brasileiro. Em março, os preços dos combustíveis subiram com força:

  • gasolina: alta próxima de 4%
  • diesel: avanço superior a 9%
  • etanol: aumento médio de 1,3%

O reflexo apareceu nos índices de preços, com o IGP-M subindo 0,52% em março, após queda no mês anterior.

O Boletim Focus também mostrou piora nas expectativas de inflação, com a projeção do IPCA para 2026 passando de 4,17% para 4,31%, ainda dentro do intervalo da meta, mas indicando pressão crescente.

Banco Central e Fed adotam cautela

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que choques de oferta, como a alta do petróleo, tendem a elevar a inflação e reduzir o crescimento econômico. Segundo ele, a autoridade monetária seguirá com uma postura cautelosa e sem movimentos bruscos, buscando reduzir a volatilidade do mercado.

Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, também adotou um tom prudente, afirmando que o banco central americano está “bem posicionado” para observar os efeitos da guerra antes de tomar novas decisões sobre juros. Ele destacou ainda que a dívida pública dos EUA preocupa no longo prazo, mas não é considerada insustentável neste momento.

Destaques do Ibovespa

Entre as ações brasileiras, o setor de petróleo voltou a se destacar com a valorização da commodity. A Petrobras encerrou o dia em alta, acompanhando o movimento internacional, enquanto a PRIO avançou com ganhos mais expressivos.

A Vale também subiu, mas com desempenho limitado pela volatilidade do minério de ferro. Já os bancos apresentaram resultados mistos, refletindo o clima de cautela dos investidores diante do cenário global.

Outro destaque positivo foi a Hapvida, que avançou mesmo com projeções mais desafiadoras para o setor de saúde.

 

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