A taxa média de juros do crédito consignado ao setor privado com garantia do FGTS ficou em 3,75% ao mês em julho, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados nesta quarta-feira (27). O número mostra leve queda em relação a junho, quando a taxa estava em 3,79%.
Mesmo com a redução, o patamar ainda é mais que o dobro das taxas cobradas no consignado para aposentados (1,82%) e servidores públicos (1,85%).
Juros médios em julho:
- Crédito pessoal não consignado: 6,14% ao mês
- Cheque especial: 7,33% ao mês
- Cartão de crédito rotativo: 15,21% ao mês
O BC também publica um ranking semanal das taxas praticadas entre os bancos. Entre 7 e 13 de agosto, os juros variaram de 1,15% a 6,88% ao mês.
Vale lembrar que as taxas médias não garantem os valores finais. Cada instituição faz sua própria análise de risco, considerando histórico de crédito, tempo de trabalho e garantias. Por isso, especialistas orientam que os trabalhadores pesquisem ofertas pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, comparando propostas antes de contratar.
Atualmente, já foram contratados quase R$ 16 bilhões por meio da linha de consignado para trabalhadores CLT.
Debate sobre teto de juros
Por enquanto, não há limite máximo para os juros nessa modalidade. A Febraban defende que não há necessidade de fixar um teto, pois o FGTS já funciona como garantia que reduz os riscos para os bancos.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, no entanto, afirmou que o governo poderá adotar um teto no futuro caso sejam identificados abusos. Um decreto publicado em março pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu que o Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado terá poder para definir regras e parâmetros dessa linha de crédito.
Como funciona o novo consignado com FGTS?
Lançada em março, a modalidade pode ser contratada diretamente pelo app Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital), sem necessidade de acordo entre empresa e banco.
- O trabalhador pode usar até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória (40%) como garantia.
- O limite de comprometimento é de até 35% do salário bruto.
- O empregador desconta o valor direto da folha e repassa à Caixa, que paga ao banco credor.
- Em caso de demissão, os valores garantidos no FGTS são utilizados para quitar a dívida.
Migração de contratos e portabilidade
Desde 21 de agosto, cerca de 4,2 milhões de contratos antigos estão em processo de migração para a nova plataforma. O governo prevê concluir esse movimento até novembro.
Depois disso, os trabalhadores poderão optar pela portabilidade para bancos que ofereçam taxas mais baixas.
- A partir de outubro: começa a portabilidade dentro da Carteira de Trabalho Digital.
- Em novembro: entra em vigor a garantia de até 10% do FGTS + 40% da multa rescisória.
Atualmente, 70 instituições financeiras estão habilitadas a oferecer o consignado com FGTS, incluindo trabalhadores da iniciativa privada, empregados rurais, domésticos e até funcionários de MEIs.
Importante: quem já antecipou o Saque-Aniversário do FGTS também poderá contratar essa linha de crédito.