Os mercados mundiais operam sem direção única, nesta manhã de “Superquarta” (18), quando serão anunciadas as decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil. Além disso, os agentes monitoram o agravamento das tensões no Oriente Médio, que pode envolver diretamente os EUA.
O clima segue tenso após declarações do presidente Donald Trump, que sinalizou impaciência com o avanço dos conflitos e se reuniu com sua equipe de segurança nacional. Segundo a imprensa internacional, o Irã teria posicionado mísseis com capacidade de atingir bases norte-americanas, caso Washington entre diretamente no confronto.
Na esfera monetária, tanto o Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) quanto o Banco Central brasileiro encerram hoje reuniões decisivas. A expectativa nos EUA é de manutenção dos juros entre 4,25% e 4,5%, com possíveis cortes a partir de setembro. Os mercados aguardam com atenção o discurso do presidente da autoridade monetária norte-americana, Jerome Powell, e a atualização das projeções do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed), especialmente o “gráfico de pontos”.
No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central também deve manter a taxa básica de juros, a Selic, em 14,75%, diante de sinais mistos da economia. Embora a atividade tenha desacelerado, o mercado de trabalho permanece aquecido.
Analistas avaliam que o BC pode optar por cautela para manter a trajetória de convergência da inflação, sem descartar uma alta para 15% se os indicadores se deteriorarem.
Brasil
O Ibovespa fechou a terça-feira (17) com baixa de 0,30%, aos 138.840 pontos, pressionado pelo aumento das tensões entre Irã e Israel e pela expectativa em torno da decisão de juros do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) nesta quarta-feira (18).
O dólar comercial avançou 0,23%, cotado a R$ 5,498, enquanto os juros futuros (DIs) subiram ao longo de toda a curva.
O agravamento do conflito no Oriente Médio, com declarações ameaçadoras do presidente Donald Trump e envio de caças americanos à região, elevou o preço do petróleo em mais de 4% e reforçou temores inflacionários. Isso ocorre justamente às vésperas da decisão do Fed, que deve manter os juros estáveis, mas enfrenta pressão crescente por cortes a partir de setembro.
Europa
As bolsas europeias operam mistas, com investidores aguardando a decisão de juros do Fed e notícias sobre o conflito Israel-Irã.
Das notícias da região, o banco central da Suécia cortou sua taxa básica de juros em 25 pontos-base na quarta-feira, para 2%, em meio ao enfraquecimento da inflação, mas apontou riscos geopolíticos à frente. No Reino Unido, serão divulgados os dados de inflação do Reino Unido de maio, com economistas prevendo que o índice de preços ao consumidor tenha subido a 3,4% no ano até maio.
STOXX 600: -0,13%
DAX (Alemanha): -0,03%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,13%
CAC 40 (França): +0,09%
FTSE MIB (Itália): +0,21%
Estados Unidos
Os índices futuros de Nova York sobem em meio à escalada da tensão no Oriente Médio e com a expectativa de que o Fed (Federal Reserve) mantenha as taxas de juros inalteradas.
Dow Jones Futuro: +0,10%
S&P 500 Futuro: +0,21%
Nasdaq Futuro: +0,28%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam de forma mista, com o conflito Irã-Israel afetando o sentimento dos investidores.
Na região, as exportações do Japão caíram 1,7% em maio na comparação anual, resultado melhor do que a queda de 3,8% esperada. O dado reforça a avaliação do Banco do Japão de que o crescimento do país deve se moderar diante do enfraquecimento do comércio exterior e da pressão sobre os lucros corporativos.
Shanghai SE (China), +0,04%
Nikkei (Japão): +0,90%
Hang Seng Index (Hong Kong): -1,12%
Kospi (Coreia do Sul): +0,74%
ASX 200 (Austrália): -0,12%
Petróleo
Os preços do petróleo recuam, após encerrar a sessão anterior com alta de mais de 4% devido a preocupações de que o conflito Irã-Israel pudesse interromper o fornecimento da commodity.
Petróleo WTI, -0,24%, a US$ 74,66 o barril
Petróleo Brent, -0,37%, a US$ 76,19 o barril
Agenda
Nos Estados Unidos, serão divulgados dados de construções de maio, mas o destaque do dia é a decisão dos juros e a posterior coletiva de imprensa de Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve).
Por aqui, no Brasil, o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Barbosa Pinto, afirmou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que a maior parte do benefício fiscal das LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) não chega aos setores produtivos. Segundo ele, apenas um terço da renúncia de R$ 40 bilhões beneficia diretamente agro, construção e infraestrutura, enquanto dois terços ficam com investidores e instituições financeiras. Para o secretário, a isenção distorce o mercado, favorece uma “bolsa rentista” e encarece o crédito para outros setores.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg