Oposição pede ao TCU suspensão de edital bilionário de megaterminal de Santos

Novo, PL e Republicanos citam contratação inadequada e querem impedimento do ministro Bruno Dantas no caso
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Por André Borges e Leonardo Vieceli

(Folhapress) – Congressistas da oposição protocolaram nesta quinta-feira (30) uma representação no TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo a suspensão imediata da licitação de R$ 1,06 bilhão do condomínio logístico do porto de Santos.

Os deputados afirmam que a APS (Autoridade Portuária de Santos) utilizou uma modalidade de contratação inadequada para retirar o empreendimento da análise prévia da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e do próprio tribunal, restringindo a concorrência e favorecendo um desfecho que consideram irregular.

Além de pedir a suspensão cautelar do edital e do contrato já assinado, os congressistas solicitam ao TCU que realize auditoria do processo e declare a nulidade da licitação.

Os deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS), Gilson Marques (Novo-SC), Luiz Lima (Novo-RJ), Alfredo Gaspar (PL-AL), Bia Kicis (PL-DF) e Evair de Melo (Republicanos-ES), além do senador Eduardo Girão (Novo-CE), assinam a representação.

A representação quer, ainda, o impedimento do ministro do TCU Bruno Dantas de atuar no caso. O UOL revelou que o Portolog é administrado pelo empresário João Pedro Camargo, cunhado de Dantas, que relatou a revisão do leilão do Tecon 10.

O voto restringiu a competição de empresas interessadas em disputar o futuro leilão do megaterminal, vizinho ao condomínio logístico, previsto para ser a maior transação portuária da história.

A representação da oposição quer, ainda, o impedimento do ministro do TCU Bruno Dantas de atuar no caso (Foto: Reprodução)

Entre os administradores da vencedora do leilão também está Camila Funaro Camargo Dantas, esposa do ministro. No pedido, os autores dizem não acusar Bruno Dantas de irregularidade, mas sustentam que o regimento interno do TCU prevê impedimento em processos de interesse de cônjuge.

Procurados pela Folha, Bruno Dantas não comentou o assunto. A Portolog também não se pronuncia sobre o caso. A APS nega as acusações de irregularidades.

A Antaq chegou a apontar falhas técnicas no edital elaborado pela APS, reconhecendo haver motivos para questionar a legalidade da licitação. Deixou, porém, de adotar medidas práticas porque a licitação estava suspensa por decisão da Justiça Federal.

Quando a determinação da Justiça foi derrubada, em maio deste ano, a agência não voltou a analisar o caso. A APS homologou o resultado e assinou o contrato com o consórcio Portolog. O contrato encontra-se atualmente suspenso, por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

À Folha a Antaq disse que a “decisão adotada no início do processo teve natureza cautelar e não representou julgamento definitivo sobre a validade do edital”, apesar de o contrato, como mostra a reportagem, já ter sido homologado sem haver nenhuma intervenção da agência.

Segundo a agência, “o processo permanece pendente de decisão definitiva da diretoria colegiada, a partir dos elementos e subsídios técnicos que vêm sendo colhidos para fundamentar a decisão final”.

A licitação do condomínio logístico teve o edital publicado pela APS em outubro de 2025, prevendo apenas 16 dias úteis para que empresas analisassem o projeto, preparassem estudos e apresentassem propostas.

Uma empresa interessada foi desqualificada no processo. A Portolog acabou sendo a única com proposta válida e ganhou a licitação.

Ocorre que a concorrência já era contestada não apenas por causa do prazo exíguo, mas por envolver uma área que, para empresas locais, é vital nas operações do porto, enquanto a APS diz se tratar de um espaço de manobras, e “não afeta as operações portuárias”.

Tecon Santos 10 fica para 2027

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, disse nesta quinta-feira (30) no Rio de Janeiro que o leilão do Tecon 10 deve ficar para 2027. A declaração ocorreu após ele ser questionado em uma entrevista no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Franca participou do anúncio de uma linha de crédito de R$ 8 bilhões para companhias aéreas com recursos do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil).

“Acho que dá para a gente lançar o edital este ano. Deve haver um novo desenho da modelagem que foi estabelecida e já analisada pela Antaq e pelo Tribunal de Contas”, afirmou.

“Após essa diretriz, o processo volta para a Antaq para uma nova análise e volta para o Tribunal de Contas para uma nova análise […]. Portanto, um processo como esse, para ter um edital aí, no mínimo 60 dias, 90 dias. Então, a gente consegue lançar, mas provavelmente o leilão deve acontecer nos primeiros meses de 2027”, acrescentou.

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