Os preços do petróleo voltaram a subir com força nesta segunda-feira (28), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar a proposta apresentada pelo Irã para uma trégua de sete dias e a reabertura do estreito de Ormuz.
Durante o pregão asiático, o barril do Brent, referência internacional, avançava 3,1%, negociado a US$ 107,51. O petróleo americano West Texas Intermediate (WTI), por sua vez, registrava alta de 2,1%, a US$ 94,32.
A reação reverte parte do movimento observado no fim da semana passada, quando a possibilidade de um entendimento entre Washington e Teerã havia pressionado as cotações para baixo. Na sexta-feira (25), o Brent havia encerrado o dia a US$ 104,32, com queda de 2,1%.
Trump rejeita proposta iraniana
O Irã apresentou durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, um plano para interromper as hostilidades e reabrir Ormuz em um prazo de sete dias.
A proposta havia sido encaminhada aos Estados Unidos por meio de mediadores e previa, entre outras condições, a suspensão das sanções americanas sobre o petróleo iraniano, o fim do bloqueio naval e a liberação de ativos do país congelados no exterior.
Ao final do período, Teerã se comprometeria a reabrir Ormuz e iniciar negociações mais amplas com Washington sobre seu programa nuclear.
Trump, no entanto, anunciou no fim de semana que não aceitou os termos apresentados pelo governo iraniano. O presidente americano afirmou que Teerã deseja chegar a um entendimento, mas que a proposta apresentada não corresponde ao acordo que pretende fechar.
Apesar da rejeição, Trump indicou que espera a continuidade das negociações entre os dois países nesta semana.
Ormuz mantém pressão sobre mercado
A possibilidade de reabertura do estreito havia provocado uma queda nas cotações do petróleo na semana passada. Com a recusa de Trump, investidores voltaram a considerar o risco de prolongamento das restrições ao transporte de combustíveis pela região.
Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes para o mercado global de energia e conecta grandes produtores do Golfo ao restante do mundo. A circulação de navios pela passagem permanece fortemente afetada desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro.
A situação também é pressionada pelas restrições à navegação no estreito de Bab el-Mandeb, outra passagem estratégica para o comércio internacional de energia, localizada entre o Iêmen e o nordeste da África.
Com duas importantes rotas de transporte sob pressão, o mercado acompanha as negociações entre Washington e Teerã diante do risco de novas interrupções na oferta.
O impasse ajuda a manter elevada a volatilidade das cotações. Na semana passada, apenas a perspectiva de um acordo capaz de ampliar novamente o fluxo por Ormuz foi suficiente para derrubar os preços. Nesta segunda, a rejeição americana ao plano iraniano produziu o movimento contrário.