A guerra comercial intensificada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs um salto expressivo nas tarifas cobradas sobre produtos brasileiros. A tarifa média efetiva aplicada pelos EUA às importações do Brasil passou de 1,9% para 32,2%, segundo levantamento da LCA Consultoria publicado pela Folha de S.Paulo. Trata-se do maior aumento registrado até o momento na disputa tarifária deflagrada por Trump.
Apesar de o novo pacote tarifário de Trump, que passou a valer na quarta-feira (6), ter isentado 44,6% da pauta exportadora brasileira — o que inclui aeronaves e parte do setor de energia —, os demais produtos enfrentam alíquotas significativamente mais altas. Antes da escalada, 97% das exportações brasileiras enfrentavam tarifas abaixo de 5%. Agora, dependendo do item, as taxas variam de 10% a até 50%.
A agroindústria foi o setor mais penalizado: a tarifa média saltou de 4% para 40,8%. Produtos como café ficaram fora da isenção, enquanto outros, como o suco de laranja, escaparam da alta.
A diretora de economia do direito da LCA, Verônica Cardoso, disse à Folha que a medida tem impacto heterogêneo: “Dentro do mesmo setor, alguns produtos foram poupados, outros não. Não é uma decisão homogênea”.
Outros segmentos altamente afetados incluem químicos (de 2,3% para 40,1%), minérios e aço (0,5% para 38,7%) e máquinas e equipamentos (0,8% para 38,2%). Já setores como aeronáutico e combustíveis sofreram aumentos mais brandos, com tarifas médias subindo para 10%, pois a maioria dos produtos permaneceu na lista de exceções.
Tarifaço de Trump: lista de isenções inclui mais produtos aeronáuticos
A lista de isenção abrange 694 itens — dos quais 565 são relacionados ao setor aeronáutico e 76 ao segmento de petróleo, carvão, gás natural e derivados. Entre os alimentos, apenas castanha-do-pará, suco e polpa de laranja escaparam da nova taxação.
“Ao final, não dá para dizer que houve alívio”, afirmou a consultora. “Metade da pauta ficou fora da sobretaxa, mas a outra metade terá um aumento muito expressivo.”
Ainda na quarta, Trump declarou que pretende impor uma nova tarifa de aproximadamente 100% sobre semicondutores importados, embora não tenha detalhado o processo.
A medida amplia o escopo da guerra tarifária, com potencial de afetar cadeias globais de tecnologia e aumentar ainda mais a tensão comercial.