Trump anuncia tarifa de 100% sobre semicondutores; impacto ao Brasil deve ser limitado

“Se você assumiu o compromisso de construir [nos EUA], ou está em processo de construção, não há tarifa”, afirmou Trump
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O presidente Donald Trump anunciou na quarta-feira (6) que os Estados Unidos vão impor uma tarifa de 100% sobre todos os chips e semicondutores importados. A medida, no entanto, isenta empresas que já estejam produzindo ou em processo de instalação de fábricas no território americano.

“Se você assumiu o compromisso de construir [nos EUA], ou está em processo de construção, não há tarifa”, afirmou Trump em declaração na Casa Branca.

Embora os detalhes da tarifa ainda não estejam totalmente definidos, a ação amplia a política de incentivo à produção doméstica de semicondutores iniciada ainda no governo de Joe Biden, com o programa de subsídios de US$ 52,7 bilhões para o setor. A nova medida de Trump visa intensificar esse movimento e atrair mais investimento privado em solo americano.

Taxação de chips e semicondutores tem efeitos limitados para o Brasil

No caso do Brasil, os impactos diretos da tarifa tendem a ser limitados. O país exportou apenas US$ 8,5 milhões em semicondutores em 2024, número modesto frente aos US$ 6,3 bilhões importados no mesmo período, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Contudo, o setor eletroeletrônico brasileiro poderá ser indiretamente afetado, já que a medida pode pressionar os preços globais de chips e semicondutores, amplamente utilizados em setores como informática, telecomunicações e indústria automotiva.

A cadeia de produção de semicondutores é altamente concentrada em países asiáticos, especialmente na TSMC, de Taiwan, que detém quase 68% do mercado global de impressão de microchips.

Apple promete investimento de US$ 100 bilhões nos EUA

Durante o anúncio, Trump também revelou que a Apple se comprometeu a investir mais US$ 100 bilhões nos Estados Unidos como parte de seu novo Programa de Manufatura Americana. O objetivo da iniciativa é ampliar a produção nacional e evitar as tarifas impostas aos produtos da empresa.

Apesar do volume expressivo de investimento, a promessa não atende completamente às exigências do presidente americano, que cobra a fabricação de iPhones em território nacional. Atualmente, a maior parte dos dispositivos da Apple continua sendo produzida na Ásia, sobretudo na China, com parte da produção migrando para Índia, Vietnã e Tailândia nos últimos anos.

Coreia do Sul fica fora da tarifa

Segundo o governo sul-coreano, as gigantes Samsung e SK Hynix não serão afetadas pela tarifa de 100% sobre chips. A Coreia do Sul se beneficiará de condições comerciais mais favoráveis com os EUA, conforme os termos do acordo de livre comércio vigente entre os dois países.

 

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