Tarifaço de Trump pode gerar guerra comercial com impactos no PIB e na inflação globais

Balança comercial dos EUA foi deficitária em US$ 918 bilhões em 2024. Isso significa que o país mais importou do que exportou
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O tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, traz embutidos riscos de uma guerra comercial com escala global com impactos no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), segundo análise da equipe econômica do Bradesco, publicada no site InfoMoney.

Desde que tomou posse, em 20 de janeiro, o republicano de extrema direita já anunciou sobretaxas sobre produtos importados pelos EUA do México, Canadá e China. Com os dois primeiros países, foram selados acordos que suspenderam provisoriamente as tarifas de 25% anunciadas. Porém, as negociações com os chineses ainda não aconteceram.

Em resposta, a China também anunciou taxas de 10% sobre produtos dos Estados Unidos, e recorreu contra a medida de Trump na OMC (Organização Mundial do Comércio). Contudo, o governo de Pequim já se dispôs a negociar para evitar uma guerra comercial com os norte-americanos.

A explicação para a atitude um tanto desesperada de Trump está nos números da balança comercial dos Estados Unidos. Em 2024, Canadá, México e China responderam por 40% do comércio exterior norte-americano.

A balança de comércio e serviços dos EUA teve um déficit (importações maiores que as exportações) de US$ 918 bilhões em 2024. O montante representa aumento do déficit em 17% em relação a 2023 (US$ 785 bilhões).

Canadá, México e China responderam por US$ 2,2 trilhões do comércio internacional norte-americano no ano passado, considerando importações e exportações de bens (sem contar serviços). O montante é 40% dos US$ 5,3 trilhões movimentados pelos Estados Unidos entre importações e exportações no ano.

A União Europeia deve ser o próximo alvo de Trump em sua guerra comercial. A balança comercial do país com os europeus também é deficitária. As lideranças europeias já busca instrumentos para o revide. Entre eles estão as big techs.

Trump ameaça usar tarifas para coagir a Dinamarca a entregar a Groenlândia e pressionar a UE a desistir de ações de fiscalização contra empresas de tecnologia dos EUA.

O déficit da balança comercial dos EUA com a União Europeia foi de US$ 235 bilhões no ano. Ou seja, Trump tem atacado justamente os países dos quais os estadunidenses são mais dependentes para consumir.

Uma das explicações para o déficit da balança comercial dos EUA foi a valorização do dólar no ano passado. Como a divisa subiu em relação a tudo, principalmente nos países emergentes, produtos de países como a China se tornaram muito mais competitivos no mercado americano.

Estudo indica que guerra comercial com tarifa universal de 25% pode reduzir PIB global

O estudo do Bradesco estima que uma guerra comercial com tarifa universal de 25% entre todos os países poderia reduzir o PIB (Produto Interno Bruto) global em 2,1 pontos percentuais e elevar a inflação mundial em 4,5 pontos percentuais no período de quatro anos.

Com Trump, os Estados Unidos vivem um ponto de inflexão na política comercial dos EUA. Apesar das ameaças durante a campanha, analistas acreditavam que a estratégia seria usada apenas como pressão negocial, como ocorreu no primeiro mandato do republicano.

Porém, conforme publicado pelo InfoMoney, os economistas do Bradesco dizem que a interdependência econômica entre EUA, Canadá e México poderia trazer prejuízos aos próprios norte-americanos, dado que acordos comerciais vigentes vetam tais tarifas.

Os países atingidos revidaram imediatamente. O Canadá impôs tarifas de 25% sobre US$ 155 bilhões em produtos americanos, o equivalente a 55% das importações canadenses dos EUA. O México, por sua vez, anunciou que tomaria medidas retaliatórias, mas sem detalhá-las. Isso levou os países a negociarem, adiando a implementação das tarifas por 30 dias. A China, por sua vez, impôs tarifas adicionais de 10% a 15% sobre produtos americanos, sem sinal de recuo por parte dos EUA.

O estudo foi feito da seguinte forma:

  • Analisou dados de 203 países entre 1964 e 2023, considerando PIB, inflação, desemprego, saldo comercial e tarifas médias.
  • A análise conclui que, inicialmente, pode haver um pequeno impulso econômico devido ao protecionismo nos Estados Unidos, mas os custos superariam os benefícios com o tempo.

Isso porque a globalização permitiu expansão da produção e controle da inflação nas últimas décadas. Mas, segundo o estudo, barreiras tarifárias podem reverter esses ganhos, reduzindo a eficiência e pressionando os preços.

Em suma, a aplicação de tarifas de 25% poderia levar a uma queda acumulada do PIB global de 2,1% em quatro anos.

Se considerada a atual projeção de crescimento mundial, o cálculo aponta um crescimento médio de 0,9% ao ano, o pior desempenho desde a pandemia e inferior à média de 3,2% da última década.

Efeitos sociais

Os efeitos sociais também são expressivos, conforme a análise do banco. O aumento do protecionismo levaria a uma elevação de 2,5 pontos percentuais na taxa de desemprego e a uma inflação global 4,5 pontos percentuais mais alta em quatro anos.

Brasil

Embora o Brasil possa ser um dos futuros alvos dos Estados Unidos, a balança comercial dos EUA é superavitária com o país (vende mais do que compra). Em 2024, a balança comercial entre os dois países foi positiva para os EUA em US$ 7,3 bilhões.

 

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