Veto de Lula a supersalários pode impulsionar lei para regulamentar penduricalhos

Decisão do presidente atinge reajustes e verbas extras de Câmara, Senado e TCU
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O veto parcial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a projetos que ampliavam benefícios para servidores da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU) recolocou no centro do debate a regulamentação das chamadas verbas indenizatórias — os chamados “penduricalhos” que podem elevar remunerações acima do teto constitucional.

A medida foi recebida por líderes partidários como um movimento que, além de conter despesas, abre espaço para uma discussão mais ampla sobre a padronização dessas verbas em todos os Poderes.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o momento é propício para construir uma legislação nacional que estabeleça critérios claros para o pagamento de indenizações no serviço público. A ideia, segundo ele, é evitar a fragmentação de regras entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

Do lado da oposição, Cabo Gilberto (PL-PB) classificou o veto como parte do “jogo democrático” e defendeu que todos os Poderes respeitem o teto remuneratório. A bancada ainda discutirá se haverá tentativa de derrubada da decisão presidencial.

Nos bastidores, porém, a avaliação predominante é que não há ambiente político para reverter o veto neste momento.

O que foi barrado

Os projetos vetados parcialmente previam a criação de novas verbas e indenizações que poderiam elevar os salários de alguns servidores para além de R$ 80 mil. Esse trecho foi suprimido por Lula.

Também foram rejeitadas:

  • A criação de licença compensatória para comissionados, com possibilidade de conversão em indenização;
  • O escalonamento de reajustes entre 2027 e 2029, sob argumento de que a Lei de Responsabilidade Fiscal impede a geração de despesas obrigatórias no fim do mandato sem previsão integral de execução.

O presidente, por outro lado, sancionou os reajustes previstos para 2026.

STF entra no debate

O contexto jurídico reforça o peso político da decisão. No início do mês, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar suspendendo o pagamento de verbas indenizatórias sem respaldo legal.

A decisão estabeleceu prazo de 60 dias para que órgãos públicos revisem pagamentos e cobrou do Congresso a aprovação de uma lei nacional que defina quais indenizações podem ultrapassar o teto do funcionalismo. Dino citou exemplos de benefícios que vêm se multiplicando pelo país, como auxílios diversos e gratificações associadas ao acúmulo de processos.

O julgamento da liminar pelo plenário do STF, previsto para o próximo dia 25, é aguardado como termômetro político. Caso a Corte confirme a decisão, aumenta a pressão por uma regulamentação uniforme — cenário defendido por parte dos líderes governistas.

Clima político e precedentes

Até o momento, o tema não foi formalmente discutido com o presidente da Câmara, Hugo Motta, nem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Essa discussão deve ser colocada na mesa a partir de agora, após o feriado prolongado de Carnaval.

A avaliação inicial de que o veto poderia tensionar a relação entre Executivo e Legislativo não se confirmou até agora. Em parte, porque a decisão do STF já era vista por parlamentares como base jurídica para a medida presidencial.

O episódio remete a um impasse recente, quando Lula vetou a ampliação do número de deputados federais — proposta que elevava as cadeiras de 513 para 531 — e enfrentou resistência na Câmara. Na ocasião, a controvérsia acabou solucionada também no âmbito do STF.

 

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