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Ex-comandante do Exército confirma à PF que reuniões golpistas aconteceram

General Freire Gomes não teria compactuado com plano de golpe, mas participou de encontros
2 de março de 2024

O aguardado depoimento do general Marco Antônio Freire Gomes à Polícia Federal começa a trazer notícias além de sua duração de oito horas. O comandante do Exército Brasileiro no último ano de Jair Bolsonaro no poder, chamado de “cagão” em mensagens de WhatsApp do general Braga Netto por discordar da intentona golpista, confirmou à PF ter participado de reuniões onde foram discutidos termos da minuta do golpe.

A informação é da repórter Gabriela Prado, da CNN Brasil. A partir desse depoimento, segundo ela apurou com fontes na PF, devem vir novos passos na investigação sobre os planos de Bolsonaro e seu núcleo político e militar contra a democracia.

 

Reservista do Exército, general respondeu a mais de 300 perguntas

O depoimento do general Freire Gomes foi tão longo que ele se despediu dos investigadores às 2h da madrugada deste sábado. Segundo o Jornal da Band, ele respondeu a mais de 300 perguntas.

A PF questionou o general sobre uma nota conjunta assinada pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, em novembro de 2022, defendendo o direito de manifestação dos acampados. O militar afirmou que a declaração foi ideia do então ministro da defesa, Paulo Sergio Nogueira, disse o Jornal da Band.

Ex-comandante do Exército em primeiro plano, à frente de Bolsonaro. Isac Nóbrega / PR

Ex-comandante do Exército em primeiro plano, à frente do almirante Garnier e do tenente-brigadeiro Almeida Baptista, ex-chefes da Marinha e da FAB. Isac Nóbrega/ PR

O ex-comandante admitiu ainda que no dia 29 de dezembro, mandou suspender a ordem do general Gustavo Henrique Dutra, então comandante militar do planalto, que determinou o desmonte do acampamento na porta do QG em Brasília. Isso, porque Bolsonaro não tinha autorizado a ação.

Freire Gomes teria confirmado o que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, disse em sua delação: que houve uma reunião, com a presença de Jair Bolsonaro, onde uma minuta considerada golpista pela PF foi apresentada aos chefes das forças. Apenas o comandante da Marinha, Almirante Garnier, teria concordado em assinar o documento.

O “não” do líder do Exército teria irritado os militares ligados a Bolsonaro — o que motivou os xingamentos do general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil de Bolsonaro, contra seu colega de armas.

Agora a expectativa é pelo novo interrogatório de Mauro Cid após a descobertas de muitos fatos novos. Os investigadores acreditam que Cid ainda tem muito a falar.

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