Mauro Vieira e Rubio conversam nos EUA mas evitam falar de Flávio Bolsonaro

Encontro ocorreu às margens da reunião do G20; representantes dos dois países evitaram falar de Flávio
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O chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio conversaram brevemente nesta sexta-feira Atlanta, durante o coquetel oferecido às delegações que participam da reunião do G20, nos EUA.

Durante o rápido encontro, os dois chefes da diplomacia combinaram de reunir-se antes da cúpula do G20, em meados de dezembro, na Flórida. O objetivo seria repassar a agenda bilateral.

A data e local do novo encontro ainda serão definidos. Segundo seus assessores, eles não trataram de questões específicas na breve conversa desta sexta-feira.

O encontro foi o primeiro entre dois ministros de Brasil e EUA desde a fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA e da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo fontes diplomáticas, Flávio Bolsonaro não foi alvo da conversa.

A ideia de uma reunião em dezembro ocorre por conta da provável viagem de Lula aos Estados Unidos para a cúpula do G20, presidida por Donald Trump.

Brasil quer relação “pragmática” com Trump

Apesar das informações de que os americanos teriam ajudado o senador a fugir, o Brasil optou por não contaminar a relação bilateral com os EUA e tenta isolar o caso da fuga.

Por enquanto, Trump não parabenizou Lula pela vitória na eleição. Mas tampouco aceitou a proposta de Flávio Bolsonaro de se apresentar como o suposto “presidente” do Brasil. No governo brasileiro, a percepção é de que a Casa Branca tenta se adaptar à nova situação e à derrota de seu aliado.

Um dos cenários desenhados pelo governo brasileiro é de que, depois da eleição legislativa da próxima semana nos EUA, Trump poderá tomar uma postura menos ambígua em relação ao governo Lula.

Na região, todos os aliados de Trump – salvo Javier Milei – já reconheceram a vitória de Lula. Mesmo a embaixada dos EUA em Brasília concluiu que o resultado da eleição dava a vitória ao petista.

O objetivo do governo Lula é o de manter uma relação pragmática com Donald Trump e insistir na necessidade de que temas como um acordo comercial possam voltar à pauta de negociações entre os dois países.

Apesar da postura brasileira, deputados democratas nos EUA exigem respostas por parte do Departamento de Estado sobre o papel do governo de Donald Trump na fuga de Flávio Bolsonaro. Na quinta-feira, jornais americanos revelaram que assessores em Washington foram decisivos na organização da viagem, inclusive com a contratação do jato que levou a família do senador da Argentina até Miami, passando pelo Equador.

O documento com a solicitação de informação foi enviado na noite de quinta-feira e assinado por deputados que fazem parte do influente Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Entre eles está Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e quase 30 parlamentares.

O que eles querem saber é como a fuga foi organizada e de que forma o visto de entrada para Flávio Bolsonaro foi concedido.

“O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em entender se recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, disse a carta. “A transparência é particularmente importante quando os fatos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas de imigração e diplomacia dos EUA”, completa.

Para o grupo de deputados, a fuga “levanta questões significativas sobre o processo de tomada de decisão do Departamento, seu conhecimento a respeito da ordem judicial brasileira e se algum integrante do governo dos EUA prestou assistência antes ou depois da emissão dessa ordem”.

“A questão central é direta: o Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA no Brasil ou qualquer outro órgão do governo norte-americano auxiliaram o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da restrição judicial brasileira — conforme noticiado — que o impedia de deixar o território nacional? Caso tal assistência tenha ocorrido, o Congresso precisa saber o que foi fornecido, quem autorizou, quando aconteceu e quais informações estavam disponíveis às autoridades norte-americanas naquele momento”, insistem.

 

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