O ex-presidente boliviano, Evo Morales, foi denúnciado pelo governo da Bolívia por terrorismo e outros sete crimes. A queixa foi enviada ao Ministério Público, e se deu após a divulgação de um suposto áudio no qual ele ordena o isolamento de La Paz com bloqueios de estradas, anunciou o ministro da Justiça.
“Entre os principais crimes denunciados estão terrorismo, incitação pública à prática de crimes e atentados à segurança dos serviços públicos”, informou o ministro de Justiça, César Siles.
Por quatro dias, apoiadores de Morales ocuparam as principais vias do centro da Bolívia, especialmente no departamento de Cochabamba, seu reduto político.
Grupos contrários ao governo exigem a renúncia do presidente Luis Arce, a quem responsabilizam pela crise econômica do país e por suposta manipulação do sistema judicial e do órgão eleitoral para impedir a candidatura de Evo Morales nas eleições previstas para agosto.
O César Siles afirmou que entre os crimes atribuídos aos envolvidos estão “terrorismo, incitação pública ao crime, atentados contra a segurança dos serviços públicos, obstrução de processos eleitorais”, entre outros. O crime de terrorismo, considerado o mais grave, prevê penas de 15 a 20 anos de prisão.
Na última quarta-feira, um ex-dirigente próximo a Morales divulgou à imprensa um suposto áudio de uma conversa telefônica, na qual, segundo ele, a voz do ex-presidente orienta o bloqueio de dois importantes acessos a La Paz, sede do governo boliviano.
“Solicitamos […] ao Ministério Público que atue com a devida celeridade, que possa rapidamente admitir esta denúncia”, disse Siles.
Segundo o governo da Bolívia, esta quinta-feira foram relatados “mais de 40 pontos de bloqueio” em todo o país.
Fora da disputa na Bolívia

Morales não conseguiu inscrever sua candidatura antes do prazo que venceu em maio, por não ter um partido político.
Contudo, ele insiste que vai participar das eleições de 17 de agosto apesar de uma decisão da Justiça não permitir mais de uma reeleição presidencial.
Desde outubro de 2024, Morales está na zona cocaleira do Chapare, em Cochabamba, onde se refugia de um mandado de prisão por um caso de suposto tráfico de uma menor. Morales nega a acusação.
O ex-presidente já enfrentou situação similar em 2019, quando o então governo de Jeanine Añez, de direita, também o denunciou por “terrorismo”. Caso que Morales também negou.