A oposição desocupou o plenário do Senado nesta quinta-feira (7), encerrando a ocupação que durou pouco mais de 47 horas. O ato, iniciado na última terça-feira (5), foi um protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e visava pressionar o Congresso a discutir pautas como o perdão a condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, o fim do foro privilegiado e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Durante a ocupação, chegou a ser cogitada a utilização do chamado “bunker” do Senado, espaço alternativo localizado no Prodasen, usado em sessões durante a pandemia de Covid-19, mas isso não foi necessário.
“Estamos nesse momento nos retirando da mesa. Estamos desobstruindo e esperamos que a partir de agora possamos discutirmos e trabalharmos as pautas que interessam a todos independente da posição ideológica”, afirmou o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder do movimento.
Após reuniões com lideranças partidárias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), convocou a sessão remota do dia e afirmou, em nota, que não aceitaria “intimidações nem tentativas de constrangimento”. Na véspera, Alcolumbre já havia declarado que o Congresso “não será refém de ações que visem desestabilizar seu funcionamento”.
Após turbulentas reuniões, a Câmara finalmente conseguiu retomar as atividades ainda na noite do dia 6, sob um empurra-empurra no ambiente mais importante da Casa e uma falha tentativa do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de demonstrar força.

Trabalho volta no Senado
Com o fim da ocupação, os senadores devem analisar ainda nesta quinta-feira o projeto que reajusta a faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. O texto, que já passou pela Câmara, precisa ser aprovado até 11 de agosto, quando perde a validade.
“Seguiremos votando matérias de interesse da população, como o projeto que assegura a isenção do Imposto de Renda para milhões de brasileiros que recebem até dois salários mínimos. A democracia se faz com diálogo, mas também com responsabilidade e firmeza”, declarou Alcolumbre em nota.