Para além do dia 21 de Março

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU)
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O dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em menção ao Massacre de Sharpeville que aconteceu no dia 21 de março de 1960 em Joanesburgo, na África do Sul.

A chacina deixou feridas mais de quinze mil pessoas que faziam um grande protesto contra a Lei do Passe que obrigava a população negra a portar um cartão com informações dos locais onde era permitido sua circulação.

O grupo de manifestantes foi brutalmente repreendido pelas forças policiais com muita truculência. O episódio de Sharpeville não é, para as comunidades negras africanas e em diáspora forçada, uma data a ser comemorada, mas sim rememorada.

Pois, compreendemos que assim como o 20 de novembro, a data do dia 21 de março marca um tempo de lutas e resistências negras contras todas as forma de opressões, racismo, preconceito e intolerância.

No Brasil, além de rememorarmos essas datas de lutas e resistências, a data do dia 21 de março passou a ser comemorado como o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé.

Instituída pela Lei 14.519/2023, o projeto original previa que o dia fosse comemorado em setembro, contudo o senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu que o dia escolhido fosse 21 de março, pois é o dia escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial.

Para além das rememorações das datas e da instituição da lei brasileira, é sempre bom ressaltar que nós, pessoas negras, existimos e resistimos para além do dia 21 de março e que as reivindicações dos movimentos negros e de axé são pautadas historicamente em prol do reconhecimento social, politico e econômico enquanto coparticipante na formação e na construção da sociedade brasileira.

Como bem nos mostra a História, os processos de escravização das pessoas negras, justificados pelas ideias de racismo e desumanização, deixaram marcas profundas na nossa sociedade, seja em níveis sócias ou/e econômicos.

 

*Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos:
Professor e orientador no Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ. Conselheiro Estratégico do CEAP. Autor e idealizador da série Resistência Negra, da Globoplay.

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