ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Por Cleber Lourenço

O Palácio do Planalto decidiu sustentar até o fim a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após receber uma série de alertas de senadores — inclusive do centrão e aliados próximos ao governo — sobre o risco de derrota e o impacto político de uma eventual rejeição em plenário.

As declarações de Jaques Wagner indicam que o governo não pretende recuar. Em conversa com jornalistas, o líder afirmou que não vê em Messias o mesmo tipo de resistência enfrentada por Paulo Gonet e disse acreditar que o Senado tende a “acolher a decisão do presidente” quando o nome for formalizado.

Wagner também destacou que, até o envio da indicação, é natural que sigam circulando preferências e articulações paralelas entre os senadores.

Nos bastidores, porém, a leitura de parte do centrão é frontalmente oposta. Um senador próximo ao governo descreveu como “temeridade” insistir no nome de Messias num cenário tão apertado.

Segundo ele, Lula está “fazendo um teste em cima de uma votação de ministro do Supremo”, o que pode resultar num revés de grandes proporções caso a indicação seja rejeitada. Na visão desse parlamentar, uma derrota daria “fôlego politicamente ruim” ao consórcio bolsonarista e reativaria uma articulação que hoje está enfraquecida.

Esse mesmo senador afirmou que, diante do clima instável, não recomenda insistir no nome de Messias. Para ele, o mais prudente seria que o presidente acolhesse o nome construído dentro do Senado, especialmente porque a Casa, “tem tanto ajudado o governo” em pautas cruciais como o Imposto de Renda e a PEC da Blindagem.

Outro senador ouvido pela reportagem reforçou a expectativa de reciprocidade. Segundo ele, há um sentimento coletivo de que o governo deveria prestigiar um nome da própria Casa, sobretudo porque se trata de um ex-presidente do Senado cogitado para presidir o STF.

“Nunca houve na história um ex-presidente do Senado cotado assim. O Senado gostaria muito de ter um ex-presidente prestigiado”, disse. Para esse parlamentar, Messias poderia ser indicado em uma das próximas vagas, já previstas para ocorrer nos próximos anos.

Apesar das advertências, a avaliação dentro do Planalto continua inalterada. Ministros e articuladores reconhecem que a votação será “no fio da navalha”, mas afirmam que a convicção presidencial permanecerá até o final: Messias passa. A aposta é no histórico de aprovação das indicações presidenciais e na condução de Jaques Wagner, que tenta reduzir ruídos e manter o Senado alinhado o suficiente para a confirmação.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail