Por Cleber Lourenço
A bancada do PT se reuniu nesta segunda-feira (11) e encerrou o encontro por volta das 20h, definindo a estratégia diante da crise provocada pelo motim e pela invasão da Mesa da Câmara por deputados bolsonaristas. O episódio paralisou os trabalhos legislativos e expôs a fragilidade da presidência de Hugo Motta. O grupo decidiu que não haverá qualquer acordo para atender às demandas da oposição como condição para encerrar a paralisação, especialmente a anistia a condenados e propostas classificadas como “PEC de impunidade”.
Segundo integrantes da bancada, a prioridade imediata é garantir que o caso tenha consequências políticas e disciplinares. O recado a Hugo Motta foi direto: é preciso decidir sobre as punições antes de discutir qualquer pauta. “O presidente tem que resolver o que vai fazer com eles. O que vai ser realmente um encaminhamento, não dá para ser um encaminhamento de pizza”, afirmou o deputado Rogério Correia (PT-MG), destacando que medidas brandas não terão apoio.
O planejamento para a semana inclui dois projetos prioritários: a atualização da tabela do Imposto de Renda, considerada urgente pelo governo, e a regulação das redes sociais com foco na proteção de crianças e adolescentes. “Tem que voltar essa semana pauta positiva para o povo e ele, enquanto isso, tem essa semana para resolver, punir esse pessoal e seguir em frente, né? Sem essas pautas deles de PEC de impunidade, anistia, essas coisas de jeito nenhum”, reforçou Correia.

PT: prioridade é focar no que interessa à população
O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), também deixou claro em coletiva que não há clima político para avançar nas pautas defendidas pela oposição. Segundo ele, a prioridade é focar no que interessa à população e não nas manobras da oposição que quer usar a Casa para proteger o ex-presidente e aliados de responsabilizações. Lindbergh afirmou ainda que “já estavam articulando com outros líderes. Porque eles não podem ser premiados com a pauta da semana” e que a resposta precisa ser exemplar para evitar novos episódios semelhantes.
Para os deputados do PT, atender às exigências da oposição agora enfraqueceria a autoridade de Hugo Motta e abriria um precedente perigoso para novas ações de confronto e chantagem política no plenário. A postura é de isolar politicamente os bolsonaristas, reforçar a narrativa de que o governo trabalha em pautas de interesse direto da população e pressionar pela resolução da crise sem concessões.
A expectativa é que a reunião de líderes marcada para esta terça-feira (12) defina não apenas o futuro das punições aos envolvidos, mas também o andamento das votações prioritárias da Casa. Nos bastidores, cresce a percepção de que o desfecho será determinante para medir a força de Hugo Motta na presidência e sua capacidade de conduzir a agenda legislativa sem novas interrupções.