Servidoras da Abin denunciam misoginia institucional

Texto denuncia perseguição a mulheres, assédio moral e silenciamento de servidoras após revelarem abusos na agência
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Por Cleber Lourenço

Em nota enviada ao ICL Notícias com exclusividade, o Coletivo de Mulheres da Inteligência denunciou um ambiente de violência institucional e misoginia na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O coletivo é formado por servidoras de diferentes níveis hierárquicos e cargos da carreira da Abin, com o objetivo de debater pautas femininas e promover acolhimento no ambiente da inteligência.

A nota foi divulgada dias após vir à público a denúncia de uma ex-corregedora da Abin, que afirmou ter sido perseguida pela atual direção da agência após apresentar relatórios internos com indícios de irregularidades, assédio e uso indevido da estrutura institucional. Segundo revelou o ICL Notícias, a ex-corregedora foi afastada da função e sofreu sucessivas tentativas de silenciamento após alertar órgãos de controle sobre condutas graves praticadas por integrantes da cúpula da Abin.

Esse contexto também coincide com a divulgação do relatório final da Polícia Federal sobre a chamada “Abin paralela”, que apontou a utilização irregular de sistemas de monitoramento durante o governo Bolsonaro e mencionou tentativas de obstrução das investigações por parte da atual gestão. O relatório confirmou que servidoras que denunciaram os abusos enfrentaram retaliações internas.

No texto, o coletivo afirma que “a competência e a retidão de mulheres são atacadas com atos de covardia e misoginia”. Segundo as servidoras, há um padrão de assédio moral, coerção e violência psicológica contra mulheres que ocupam ou ocuparam cargos de controle e fiscalização dentro da agência.

abin

Denúncia contra a Abin

A nota repudia a manutenção de agentes misóginos em cargos de chefia, o que, de acordo com o coletivo, perpetua a violência institucional e contribui para a instalação de uma cultura de medo e silenciamento. O grupo exige a apuração rigorosa das denúncias e o afastamento imediato de todos os responsáveis por essas práticas abusivas.

O documento também faz referência à frase da ativista Angela Davis: “Não aceito mais as coisas que não posso mudar. Estou mudando as coisas que não posso aceitar.” Para as servidoras, é urgente romper o silêncio institucional diante das violências de gênero e garantir um ambiente seguro e digno para as mulheres na inteligência.

O texto finaliza com um apelo pela integridade da agência e pela dignidade das mulheres que nela atuam: “A integridade da Abin e a dignidade de suas servidoras não são negociáveis.”

O ICL Notícias solicitou posicionamento à direção da Abin, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Leia a íntegra da nota:

Pela Integridade Institucional e o Fim da Violência de Gênero na Abin

Nós, o coletivo de mulheres servidoras da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), vimos a público expressar nossa mais profunda repulsa e nossa inabalável solidariedade às colegas que, no exercício de suas funções, foram vítimas de assédio moral, perseguição sistemática e uma abjeta violência de gênero, conforme escancarado pelo Relatório Final do Inquérito da Polícia Federal publicado em 18 de junho de 2025.

O que o documento revela não são meros desentendimentos ou pressões do cargo. São atos dolosos, um modus operandi de coação e intimidação que visava silenciar e desestabilizar uma servidora em um dos mais altos postos de controle da Agência.

É inaceitável que, em pleno século XXI, a competência e a retidão de mulheres sejam atacadas com táticas tão covardes e misóginas.

Diante do exposto, o coletivo de mulheres servidoras da ABIN exige dos órgãos competentes a apuração rigorosa e o afastamento imediato e definitivo de todos os envolvidos nos atos de assédio moral, coação, perseguição e violência psicológica contra as servidoras da instituição.

A manutenção de agentes de misoginia em posições de poder perpetua a violência, silencia testemunhas e constrange o corpo funcional.

Como nos ensinou Angela Davis, “não aceito mais as coisas que não posso mudar. Estou mudando as coisas que não posso aceitar.” Não aceitamos mais o assédio, a misoginia e a impunidade em nosso ambiente de trabalho.

A integridade da Abin e a dignidade de suas servidoras não são negociáveis.

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