Trump diz acompanhar eleição brasileira ‘de perto’ e adia negociação do tarifaço

Presidente americano diz acompanhar o pleito “muito de perto”, enquanto representante comercial prevê nova rodada de negociações sobre tarifas após o segundo turno
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A poucos dias do primeiro turno, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras e afirmou que o pleito do país é “muito importante”. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (1º), em coletiva de imprensa na Casa Branca, em meio a preocupações sobre uma possível interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro.

“O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”, declarou o presidente.

Questionado por repórteres, Trump não se posicionou quanto aos candidatos brasileiros, como fez em outras ocasiões, e não mencionou apoio a nenhum nome. Nas últimas semanas, parlamentares norte-americanos acusaram o governo do republicano de tentar interferir na eleição brasileira e cobraram garantias de que os Estados Unidos reconhecerão o resultado das urnas.

Na semana passada, senadores democratas enviaram uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na qual manifestaram preocupação com ações do governo Trump em relação ao Brasil e afirmaram que “ao longo do segundo mandato do Presidente Trump, observamos autoridades dos EUA envolvidas em uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil”.

Entre as preocupações dos democratas estão a nomeação de Darren Beattie para atuar em questões relacionadas ao Brasil no Departamento de Estado e a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo os senadores, a investigação comercial que levou às tarifas foi iniciada por determinação de Trump.

O governo norte-americano, porém, nega que tenha um plano para interferir na eleição ou impedir uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Em agosto, o Departamento de Estado afirmou que respeitaria “qualquer governo” eleito no Brasil.

Negociação do tarifaço deve avançar após segundo turno

Enquanto Trump afirma acompanhar de perto a eleição brasileira, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, sinalizou que uma nova rodada de negociações sobre o tarifaço deve avançar somente após o segundo turno.

De acordo com a coluna da jornalista Mariana Sanches, do UOL, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira se reuniram com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em Milwaukee, durante a reunião ministerial do G20, na manhã da última quarta-feira (30).

Foi o primeiro encontro presencial bilateral de alto nível desde que Washington anunciou as novas tarifas sobre produtos brasileiros. Atualmente, a sobretaxa chega a 37,5% para cerca de 20% dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, com impacto especialmente sobre setores como calçados, têxteis e móveis.

Após a reunião, Elias Rosa afirmou ao site que Greer se comprometeu a preparar um documento com as exigências dos Estados Unidos para uma nova rodada de negociação. O material deverá detalhar demandas tarifárias e não tarifárias e, segundo a interpretação do ministro brasileiro, deve ser enviado em três ou quatro semanas – provavelmente no início de novembro, após o segundo turno.

“Greer me disse: ‘esse é meu dever de casa’, fazer esse documento de referência pra gente poder trabalhar a partir daí”, confirmou o ministro.

A ideia do governo brasileiro é que o documento estabeleça previamente quais setores, tarifas, condições de exportação e questões de competitividade estarão na mesa. Dessa forma, Brasília pretende evitar que novas exigências sejam apresentadas sucessivamente durante as negociações.

Elias Rosa avaliou o encontro como positivo. “Foi a reunião mais positiva que tivemos”, afirmou.

Apesar da retomada do diálogo, Greer não aceitou o pedido brasileiro para suspender as tarifas enquanto as negociações estiverem em andamento. O representante comercial também não fez declaração pública sobre o encontro.

Entre os temas que o Brasil espera encontrar na proposta americana estão a regulação das big techs, facilidades para o comércio de produtos industriais, eletroeletrônicos e químicos, além do etanol. Também deve entrar nas discussões o interesse dos Estados Unidos na exploração e no refino de terras-raras brasileiras.

O governo americano sinalizou disposição para tentar construir um acordo comercial até dezembro, embora o próprio governo brasileiro considere o prazo apertado diante da quantidade de temas envolvidos. Brasil e Estados Unidos também decidiram criar um grupo de trabalho para discutir o possível acordo.

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