Mensagens revelam tentativa de venda de cobertura de R$ 60 mi no dia da prisão de Vorcaro

Emails apreendidos pela PF mostram participação de representante de ex-banqueiro, incorporadora e ex-AGU Bruno Bianco
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Emails obtidos pela Polícia Federal mostram uma movimentação intensa para tentar concluir, em poucas horas, a venda de uma cobertura de luxo em São Paulo por R$ 60 milhões. Isso ocorreu no mesmo dia em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro do ano passado.

As mensagens indicam a participação de representantes do empresário, da incorporadora responsável pelo empreendimento e do ex-advogado-geral da União, Bruno Bianco, que atuava na negociação pelo lado do comprador.

A troca de mensagens ocorre paralelamente a compromissos de Vorcaro naquele dia, como uma reunião com diretores do Banco Central e o anúncio da venda do Banco Master para a financeira Fictor, operação que investigadores apontam como possível tentativa de criar uma distração enquanto o empresário buscaria deixar o país.

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Residencial Viscaya Itaim. (Foto: divulgação)

O imóvel negociado fica no empreendimento de luxo Vizcaya Itaim, na avenida Horácio Lafer, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo.

As conversas começam na sexta-feira anterior à prisão, em 14 de novembro. Regiane Bernardes, da Victorino Imóveis, encarregada por Vorcaro de conduzir a negociação, envia um email à Bolsa de Imóveis solicitando documentos para viabilizar a venda. Na mensagem, pede a confirmação da quitação do imóvel, a guia para pagamento do ITBI e informa o CNPJ do comprador, além de confirmar o valor da operação: R$ 60 milhões.

Na mesma tarde, Bruno Bianco responde afirmando que a negociação estava avançada, mas dependia do envio do termo de quitação para prosseguir. Segundo os emails, o apartamento pertence à Viking, uma das principais empresas ligadas a Vorcaro e conhecida por possuir aeronaves utilizadas pelo empresário, incluindo o jato que ele pretendia usar em uma viagem internacional naquele período.

Na manhã de 17 de novembro, dia da prisão, a representante do ex-banqueiro volta a pressionar pela documentação, solicitando com urgência o link para assinatura digital do compromisso de compra e venda. Uma advogada da incorporadora respondeu que os documentos ainda precisavam da aprovação da Lucio Engenharia, parceira no empreendimento.

Mesmo diante da resposta, novas mensagens reforçavam a urgência da operação. Bianco também reiterou a necessidade de envio imediato do termo de quitação, destacando que o documento era essencial para a conclusão do negócio.

Por volta das 16h35 daquele dia, Vorcaro confirmou por email que sua representante tinha autonomia para agir em seu nome na negociação. Um minuto antes, segundo informações apresentadas pela defesa em um pedido de habeas corpus, a Justiça Federal havia expedido o mandado de prisão contra ele.

Ao longo da tarde, a intermediária continuou tentando acelerar o processo e afirmou que aguardava os documentos desde cedo. A comprovação de quitação chegou a ser enviada, mas o link para assinatura digital do contrato não foi encaminhado. De acordo com pessoas próximas à negociação, a venda não chegou a ser concluída.

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Bruno Bianco Leal. (Foto: Jane de Araújo/Agência Senado)

Procurado, Bruno Bianco afirmou que atuou apenas como advogado de um interessado no imóvel e que teve acesso somente a informações fornecidas pelas partes ou de caráter público. Ele disse ainda que não tinha conhecimento prévio de eventual decisão do Banco Central, da prisão de Vorcaro ou de bloqueios de bens.

A Bolsa de Imóveis informou que não pode comentar negociações das quais participa sem autorização das partes ou determinação judicial. Já a representante encarregada da venda não respondeu aos contatos feitos pela reportagem.

Vorcaro foi preso na noite daquele 17 de novembro. Na manhã seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

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