A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou nesta quinta-feira (5) o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana. Foram 48 votos contrários e 30 favoráveis à abertura do processo. Com o arquivamento da acusação, Alliana fica livre para assumir a Presidência do país após a renúncia de Santiago Peña, anunciada mais cedo.
Peña, de perfil conservador, também era alvo de um processo de impeachment apoiado pela oposição e por integrantes da própria base governista, o que aprofundou seu isolamento político. Ele renunciou ao cargo nesta manhã em meio à uma crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, que bloqueou as contas de milhares de correntistas após sofrer intervenção do Banco Central por problemas de solvência.
Em um vídeo, o ex-presidente se desculpou com a população que perdeu o acesso ao próprio dinheiro e disse que decidiu renunciar “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”.

“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, disse.
Peña foi acionista do grupo que controlava a instituição até março de 2025 e passou a ser acusado pela oposição de ter sido conivente com a quebra do banco e de ter possíveis conflitos de interesse na condução da crise.
Pedido de Impeachment
Na quarta-feira (4), 35 deputados da oposição protocolaram pedidos de impeachment contra Peña e Alliana, acusando o governo de envolvimento em conflitos de interesse, uso indevido de recursos de fundos de pensão e tentativa de encobrir falhas institucionais relacionadas ao Ueno Bank.
Nesta quinta-feira (5), o Congresso paraguaio convocou uma sessão extraordinária para analisar o pedido. Todas as bancadas da Câmara dos Deputados haviam anunciado que votariam a favor da abertura do processo, que seria o primeiro passo para o impeachment. A pressão aumentou depois que Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado, legenda de Peña e considerado seu principal padrinho político, retirou o apoio ao governo. O presidente do Congresso, Basilio Núñez, também integrante do Partido Colorado, seguiu o mesmo caminho.
A mudança de posição da legenda foi decisiva para o isolamento político de Peña. O próprio Partido Colorado anunciou que seus deputados votariam a favor do impeachment, enquanto aliados do ex-presidente passaram a defender publicamente sua saída.
O Congresso paraguaio também analisava um pedido separado de impeachment contra Peña. Os opositores defendiam que ele fosse formalmente afastado antes de deixar o cargo, o que poderia fazê-lo perder o foro privilegiado. A renúncia do presidente, anunciada na tarde desta quinta, ainda dependia de aprovação do Congresso Nacional para ter validade.
A crise política teve como estopim o colapso do Ueno Bank. A instituição mantinha cerca de US$ 800 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos ligados a fundos de previdência e saúde, e atendia milhões de paraguaios. A interrupção das operações deixou clientes sem acesso às próprias contas, provocou protestos e aumentou a pressão sobre o governo.
Peña negou responsabilidade direta pelas irregularidades e afirmou que os responsáveis deveriam responder à Justiça.

Quem é Pedro Alliana
Aos 52 anos, Pedro Alliana é uma das principais figuras do Partido Colorado, que domina a política paraguaia. Ele foi governador do departamento de Ñeembucú entre 2008 e 2012 e, posteriormente, deputado nacional por dez anos.
Durante sua passagem pela Câmara, presidiu a Casa e também comandou o Partido Colorado entre 2015 e 2023. Em 2023, foi eleito vice-presidente na chapa de Santiago Peña.
Alliana também vinha desempenhando funções relacionadas à política externa do governo. Em abril deste ano, confirmou sua pré-candidatura à Presidência nas eleições de 2028, com apoio do ex-presidente Horacio Cartes e do próprio Peña.