Vorcaro nega exploração sexual após denúncia de rede internacional de prostituição

Mensagens obtidas pela PF apontam que ex-banqueiro teria financiado esquema com mulheres estrangeiras; investigação preliminar apura possíveis crimes
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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, negou nesta terça-feira (13) ter explorado sexualmente mulheres ou participado de uma rede internacional de prostituição. A manifestação ocorreu após uma reportagem revelar mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) em seu celular, que apontam seu suposto envolvimento no financiamento e na administração de um esquema com mulheres estrangeiras.

Segundo investigação publicada pelo UOL, Vorcaro teria atuado como sócio oculto de uma rede de prostituição estruturada a partir de 2023. As conversas indicam investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões, além de negociações para o recrutamento de mulheres de diferentes nacionalidades, incluindo refugiadas da guerra na Ucrânia.

Em nota divulgada por sua defesa, o ex-banqueiro rejeitou as acusações, contestou a autenticidade de parte das mensagens atribuídas a ele e classificou os vazamentos como uma manipulação de conteúdos privados retirados de contexto.

“Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrespeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei”, afirmou.

Mensagens apontam investimento de R$ 4,3 milhões

De acordo com a reportagem do UOL, assinada por Natália Portinari e Fábio Serapião, os registros encontrados no celular de Vorcaro indicam que ele teria participado diretamente de decisões relacionadas ao funcionamento da rede, incluindo a seleção de mulheres, o pagamento de intermediários e a organização de uma agência de modelos em São Paulo.

As conversas mencionam mulheres russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. Parte das estrangeiras teria sido recrutada para participar de eventos privados com autoridades e amigos do ex-banqueiro.

Ainda segundo o UOL, Vorcaro não atuaria apenas como contratante dos serviços, mas também teria dado ordens sobre a operação, decidido quais mulheres permaneceriam no grupo e autorizado pagamentos.

A Polícia Federal abriu um inquérito em maio para investigar a participação de mulheres estrangeiras nesses eventos e possíveis irregularidades relacionadas à contratação dos serviços.

No Brasil, a prostituição voluntária entre adultos não é crime. Entretanto, a exploração sexual de terceiros e determinadas atividades de intermediação e manutenção de estabelecimentos destinados à exploração podem configurar crimes. As circunstâncias dos fatos revelados ainda são objeto de investigação.

Também em maio, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) encaminhou uma notícia-crime ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando a apuração de possíveis práticas de exploração sexual e tráfico internacional de mulheres relacionadas ao caso Master.

Festas reuniam modelos estrangeiras e autoridades

Reportagens anteriores da Folha de S.Paulo revelaram que Vorcaro organizava festas com a presença de mulheres trazidas do exterior, incluindo modelos da Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela.

Documentos obtidos nas investigações mostram gastos com passagens aéreas, hospedagens e deslocamentos para a realização dos encontros. Uma festa de Halloween, organizada em 2023, envolveu uma operação de transporte internacional de modelos e DJs, com deslocamentos a partir de cidades da Itália, Espanha e Estados Unidos.

A Folha também revelou uma conversa de agosto de 2025 entre Vorcaro e sua então noiva, Martha Graeff, na qual o ex-banqueiro associava a presença dessas mulheres às suas atividades profissionais.

“Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, escreveu Vorcaro, segundo mensagens obtidas pela investigação e divulgadas pelo jornal.

Ainda de acordo com a Folha, os encontros eram organizados com uma estrutura de logística e apoio para ocorrer durante a semana, período em que políticos e outras autoridades poderiam participar sem comprometer compromissos de fim de semana.

Vorcaro critica vazamentos e diz querer colaborar

Na nota divulgada após a reportagem do UOL, Vorcaro também criticou a divulgação de mensagens pessoais enquanto permanece preso. Segundo ele, os vazamentos expõem sua intimidade, colocam em risco a segurança de sua família e apresentam uma versão distorcida dos acontecimentos.

“É absurdo ver frases pinçadas, conversas, áudios e prints descontextualizados falarem por mim, enquanto permaneço preso e sem o direito de falar oficialmente. Além de expor indevidamente minha intimidade e violar minha privacidade, esses vazamentos colocam em risco a segurança da minha família e apresentam à sociedade uma história enviesada, sujeita ao uso político e à manipulação da opinião pública”, declarou.

O ex-banqueiro também afirmou não reconhecer a autoria, a autenticidade e o contexto de vários conteúdos divulgados. Ele classificou a exposição das mensagens como uma manipulação criminosa e disse que buscará responsabilização civil e criminal pelos vazamentos.

Sem mencionar diretamente uma eventual negociação de delação premiada, Vorcaro afirmou que pretende prestar esclarecimentos sobre os assuntos investigados e suas relações pessoais e profissionais.

“Reitero que quero falar de forma objetiva e transparente sobre todos os assuntos investigados e todas as minhas relações. Sei da importância desses esclarecimentos e quero prestá-los com responsabilidade, pelas vias adequadas e com respeito ao devido processo legal.”

Ao final da nota, o ex-banqueiro reafirmou sua disposição para colaborar com as investigações, com o objetivo, segundo ele, de esclarecer os fatos.

As suspeitas envolvendo exploração sexual e possível tráfico de pessoas continuam sob investigação da Polícia Federal.

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