Saiba como foi o impacto do 1º dia de tarifaço de Trump na indústria brasileira

Governo federal vai comprar alimentos que seriam exportados aos Estados Unidos para apoiar produtores brasileiros
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O primeiro dia do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (6), foi sentido por diversos setores exportadores brasileiros. A sobretaxa de 50% atinge produtos que não foram incluídos na lista de isenção de cerca de 700 itens e já resulta em pedidos cancelados, paralisação de produção e risco de demissões em massa. Entre os segmentos mais impactados está o setor calçadista.

Enquanto as empresas tentam renegociar contratos com parceiros americanos, representantes de setores afetados pressionam o governo do presidente Lula por medidas emergenciais e estímulos para mitigar o prejuízo do tarifaço.

Entre as medidas já anunciadas, o governo federal vai comprar alimentos que seriam exportados aos Estados Unidos para apoiar produtores brasileiros. A ideia é distribuir na rede de assistência social para alimentar a população, conforme afirmou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dais, durante o programa Bom Dia, Ministro desta quinta-feira (7/8).

“Do ponto de vista das medidas, ainda ontem participei de uma agenda, porque isso mexe com o social. Frutas, alimentos perecíveis, peixes, por exemplo, o açaí, ou seja, aquilo que a gente exporta, nós estamos criando, agora, uma proteção. O nosso ministério com o MDA [Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar], com a Conab [Companhia Nacional de Abastecimento], com o Mapa [Ministério da Agricultura e Pecuária], nós vamos comprar o alimento que ia pra exportação”, disse. Os alimentos serão usados. por exemplo, na alimentação escolar.

Impactos do tarifaço no setor têxtil

O setor têxtil calcula perdas de até R$ 500 milhões por ano com a nova tarifa, além de risco de fechamento de cerca de 6 mil vagas diretas e 15 mil indiretas. Segmentos de nicho, como o de moda praia — que exporta de 40% a 50% da produção aos EUA —, já enfrentam reprogramações e reduções de pedidos.

A expectativa inicial era de crescimento de 14% nas exportações para o mercado norte-americano em 2025, mas o cenário mudou. O setor, que já vinha sofrendo com o aumento das importações asiáticas no mercado interno, agora enfrenta também um ambiente externo desfavorável.

Calçadistas: 80% das empresas impactadas

Quase 80% das empresas calçadistas que exportam para os EUA já relatam atrasos, cancelamentos de pedidos e queda no faturamento. Parte das encomendas afetadas já estava em produção.

O setor alerta que, sem uma resposta governamental, pode haver perda de até 8 mil empregos diretos e até 20 mil indiretos nos próximos meses. Os EUA são historicamente o principal mercado internacional para o calçado brasileiro, representando mais de 20% das exportações do setor.

Indústria moveleira: embarques caem

A indústria moveleira também projeta um forte impacto, com potencial de até 10 mil demissões em uma cadeia que emprega mais de 1,1 milhão de trabalhadores no Brasil. Os EUA são o principal destino dos móveis e colchões prontos produzidos no país, além de insumos e matérias-primas.

Com custos logísticos e trabalhistas superiores aos da China, que já enfrentava uma tarifa de 25% dos EUA, a tarifa de 50% sobre o Brasil praticamente inviabiliza a competitividade do setor brasileiro no mercado americano.

Produção suspensa e contêineres parados

Empresas focadas no mercado norte-americano já enfrentam forte desaceleração. Em Santa Catarina, os embarques para os EUA de uma fabricante que antes destinava 80% de sua produção ao país caíram para apenas 30% no primeiro semestre de 2025. A média mensal de contêineres embarcados caiu de 12 para apenas 2 ou 3.

No Paraná, fabricantes de estofados de couro relatam cancelamentos de pedidos previstos para agosto e suspensão de compras para todo o segundo semestre por parte dos importadores americanos.

Expectativa por reação do governo brasileiro

Empresários aguardam medidas emergenciais do governo federal, incluindo a criação de linhas de crédito com juros subsidiados, maior agilidade na liberação de créditos para exportadores e ações diplomáticas para tentar renegociar os termos da tarifa com os Estados Unidos. Os canais de negociação com os pares americanos seguem ativos, mas há pouco otimismo quanto a uma reversão no curto prazo.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na manhã de ontem que o plano de contingência contra o tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos será enviado ainda hoje para o presidente Lula.

Na terça-feira (5), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que está à frente das negociações com o governo Trump, afirmou que o Executivo segue em negociação para retirar a taxa de 50% para produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, além de preparar um plano de contingenciamento.

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